Festival Entremuralhas 2017

A Fade In, promotora incontornável do circuito musical alternativo em Portugal, trouxe pelo oitavo ano consecutivo ao castelo de Leiria o festival Entremuralhas. Um festival que vive de muito mais que apenas musica; este festival vive do público, da arte, da performance, do companheirismo da organização e voluntários, e claro, de momentos musicais únicos espalhados por três palcos: igreja, alma e corpo. Durante três dias centenas de pessoas, das mais diversas nacionalidades, rumaram até leiria para fazer parte deste evento tão "único no mundo e aqui tão perto".

Com o cenário montado e o público bem recebido, foi com os espanhóis Ramos Dual que se deu inicio a esta edição do festival. Senhores de um concerto poderoso e que conquistou de imediato o público, daquele que é um paralelo do projecto La Inesperada Sol Dual já conhecido do público da Fade In, Ramos Dual conseguiram prender desde logo a atenção do público com o seu ritmo, voz e bateria portentosa.
Seguiu-se um dos nomes mais aguardados do festival: Bestial Mouths em estreia no nosso país; Lynette Cerezo e os seus companheiros, trouxeram da Califórnia até Leiria o seu álbum "Heartless", apresentado numa performance irrepreensível sempre acompanhada de fortes imagens aliadas à presença algo misteriosa da vocalista.
Position Paralléle, projecto paralelo dos franceses Derniere Volonte (presentes na edição de 2012 do Entremuralhas), foram os terceiros a actuar e trouxeram ao palco corpo a energia contagiante do vocalista e mentor d projecto, Geoffroy Delacroix que já soma três álbuns de originais nesta sua segunda pele.
A primeira noite de Entremuralhas terminou com chave de ouro, com os incontornáveis Pop Dell' Arte de João Peste, que celebram 32 anos em 2017. De momentos destes se faz a história deste festival que abraça a cultura alternativa e explora os mais diversos territórios da mesma, Pop Dell' Arte deram um concerto inesquecível, cheio de temas que já fazem parte de cada um de nós. Terá sido este o concerto da noite? Para muitos sim.

Um dos palcos mais bonitos do país, e o palco mais aguardado deste festival, situa-se nas ruínas da igreja da Pena, e nesta edição foi Simone "Hellvis" Salvatori, vocalista dos Spiritual Front (banda que actuou em 2013 neste festival), o primeiro a actuar e a presentear-nos com uma prestação sem igual, acompanhado apenas da sua guitarra. Salvatori terá sido o mais próximo do público e quem mais interagiu com quem ali estava, chegando a desfilar de pandeireta na mão por entre o público, criando assim um dos momentos altos do festival.
Depois foi a vez dos Dear Deer, banda de 2015, formada em França e foram uma das surpresas desta edição, com uma prestaçao irrepreensivel, com o seu post-punk anarquist recheado de glitter vermelho, que trouxe um animo inesperado ao público da igreja

Palco Alma, com a muralha como pano de fundo, traz-nos Bärlin com o concerto mais comentado do festival. Foi como um estrondo, uma força da natureza, algo inexplicável e ao mesmo tempo tão simples e até frágil. Bärlin são uma banda a ter em atenção, cuja prestação ao vivo é sem dúvida fenomenal. Converteram o público no palco, caativaram-no na audiência.
Os históricos In The Nursery regressam a Leiria 10 anos após a sua presença no Fade In Festival 2007; trazem consigo 28 discos no currículo e entregaram uma performance descontraída e que levou os fãs mais acérrimos ao êxtase.

Já no Palco Corpo, recebemos os Vox Low que foram mais uma das estreias deste ano, com a sua eletronica influenciada pelo post-punk, este duo parisiense subiu ao palco e conquistou de imediato o publico mais atento dando um concerto surpreendente.
O dia finalizou com James Kent, um músico sedeado em Paris, que se apresenta sobre o nome Perturbator e que tem vindo a tornar-se cada vez mais um nome grande da musica eletronica mais alternativa. Perturbador da sua maneira não deixou de cativar público e encher o palco alma, quanto mais não fosse pela curiosidade. Apresentando uma atêntica rave ao ar livre (e dentro de um castelo), Pertubator satisfez as vontades mais dançantes da plateia deste segundo dia.
E Segundo dia estava dado como terminado.

No ultimo dia do Festival havia muita expectativa, dos Árnica aos Front Line Assembly, havia muito por descobrir. Os Espanhóis Árnica trouxeram ao palco da Igreja da Pena um Folk, a que nos já nos habituaram neste festival, que como alguém comentou "é engraçado ver algo pagão dentro de uma igreja"; e sem dúvida que é o palco mais interessante para ver este tipo de artista, o enquadramento oferecido por este palco torna o momento ainda mais especial. Os Árnica elevaram a fasquia no último dia do festival. Seguiram-se os gregos Selofan (senhores da Fabrika records, editora de bandas como She Past Away, Lebanon Hannover e Die Selektion cujas estreias em Portugal também acontecerem no Palco da Igreja da Pena deste festival), que dominaram o palco e com certeza ganharam novos adeptos com a sua prestação inigualável.
Muito romance e flores para o público no final de um concerto que irá ficar na história do festival.

Paulo Bragança foi o último anúncio deste festival (devido à inesperada falta dos Ingleses Darkher, provocada por doença da sua vocalista) e que originou muita curiosidade e até alguma desconfiança por parte de quem visitou o castelo neste último dia. No entanto, a performance de Bragança e a sua voz cativante fez o público render-se e deixar-se levar pela emoção como foi visivel nos rostos de muitos dos presentes; mais uma aposta ganha pela Fade In.
A fechar o palco Alma, desta edição de 2017, mais uma estreia: Nicole Sabouné, conhecida por muitos pela sua participação no tema "Last Rites" dos Agent Side Grinder (que se estrearam também neste festival em 2015). Nicole Sabouné surpreendeu, acompanhada na guitarra pelo vocalista dos Kite (presente no festival em 2016). Um dos momentos altos terá sido a sua interpretação do tema "Frozen" de Madonna, uma surpresa para os menos conhecedores do trajecto desta artista.

Voltamos ao palco Corpo, para os dois últimos momentos do festival, com duas bandas de peso: Atari Teenage Riot e Front Line Assembly (em estreia no nosso país). Atari Teenage Riot, a celebrar 25 anos de carreira regressam a Portugal na posição previamente reservada para os históricos Tuxedomoon cuja presença foi cancelada devido ao falecimento do baixista da banda. O concerto foi intenso e cheio de energia, do inicio ao fim, dentro e fora de palco. E contando com a energia do vocalista, toda plateia se rendeu a uma dança quase em transe.
A estreia dos Front Line Assembly era uma das mais aguardadas deste festival, a banda da Bill Leeb (membro fundador dos Skinny Puppy) conta com 31 anos de carreira e em Portugal tem uma grande legião de fãs como se comprovou no castelo de Leiria.
A prestação da banda não ficou aquém das expectativas dos fãs e com certeza irá ser recordada como um dos momentos altos da história do festival.
Foi a oitava edição deste festivall que dita o gótico como moda, mas que recebe qualquer pessoa que queira conhecer ou simplesmente ouvir música. Querse insira nos seus supostos standards. Ou não. Quem sabe que surpresas se podem encontraar por aqui?
A Fade In certamente nunca nos desiludirá. ☆


Texto: Carlos Ferreira
Fotos: Filipe Martins



      


      


      

Ramos Dual

    

    

Bestial Mouths

    

    

    

Position Paralléle

    

    


Pop Dell' Arte


    

    

Entremuralhas 2017


    

    

Simone "Hellvis" Salvatori

    

    

    

Dear Deer


    

    

    

Bärlin


    

    

    

In The Nursery

    


    

    

Vox Low

    

    

    

    

    

Perturbator

    

    

Árnica

    

    

    

    

Selofan

    

    

    


Nicole Sabouné

    

    


Atari Teenage Riot

    

    

    

    


Front Line Assembly

    

    


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