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After show
Kusturica & The No Smoking Orchestra
Coliseu do Porto – 25 Janeiro

Apesar de conhecer relativamente bem o trabalho do autor de “Gato Preto, Gato Branco”, como realizador e compositor de bandas sonoras, só à chegada ao Coliseu me consciencializei que não conhecia a figura de Emir Kusturica (pronuncia-se “Êmir Kustúritsa”). Confesso, por isso, que inicialmente a minha atenção ao palco se centrou nele. Para minha surpresa, era a discrição em pessoa (superada apenas pelo baixista que, ainda que vestido com um fato completo amarelo, era o mais resguardado). Iniciado em guitarra, Kusturica exibiu-se com alguns solos, destacando-se o realizado na cover de um clássico dos Deep Purple. O solo de Pink Floyd ficou a cargo do outro guitarrista! Depois dos solos da praxe, seguia-se sempre um frenesim de música ‘punk gitano’. “Do you want punk?”, pergunta Kusturica. O público berra afirmativamente e no instante seguinte já todos têm os braços e as pernas no ar, enquanto um grupo cria um ‘mosh-amigável’.
Como quase leiga no que diz respeito à No Smoking Orchestra, espantou-me ver todos à minha volta a cantarem as letras de cor. Mesmo as cantadas numa língua bem mais ‘estrangeira’ que o inglês.
Não interessa, do meu ponto de vista, referir as músicas tocadas, nem a duração do concerto, nem o nome dos músicos. Não é isso que ‘fica’. Não foi isso que me ‘ficou’. O que registámos na memória foi a “grande festa” a que assistimos, de que fizemos parte. Essa não será esquecida. Com um acordeonista de avental a cantar ópera. Um violinista louco. Um vocalista de calças de treino no meio do público a tentar tirar as camisolas às raparigas. A variedade de pessoas que vimos: desde a minha idade (18) à dos meus pais (a-caminhar-já-para-os-50); desde as mais conservadoras às mais excêntricas. Aquele momento em que todo o Coliseu levantou os braços. Os minutos em que todos batemos os pés ao mesmo ritmo, pedindo mais música. Os segundos em que esquecemos o mundo lá fora, o trânsito, as contas para pagar, as discussões a ter, os trabalhos indesejáveis a fazer, e dançámos (mesmo os que não dançaram)... livres do peso da realidade!
[Para quem está arrependido de ter perdido a possibilidade de ver o mestre do cinema gipsy dos balcãs e a sua orquestra: Kusturica prometeu voltar no próximo fim de semana para fazer uma revolução. Cá o esperaremos. Desta vez, não como D. Sebastião. Se não vier, que a façamos nós.]
J.(texto)

Mas apesar do meu desconhecimento, a música e o espectáculo criados eram contagiantes. Não era de todo possível estar parado. Ainda que o estado de espírito fosse o mais negro, aquela mais-de-uma-dúzia-de-homens-em-palco não oferecia possibilidade de ficarmos quietos. Ninguém resistia aos saltos e às danças frenéticas. Movimento! Loucura! Vida!
Bem vindos ao Unza Unza Time!

Rui Luis (fotos)
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