After show

Deafheaven e Myrkur

Hard Club, Sala 2
5 de Março de 2016
Muito aguardado, este cartaz unia um dos nomes grandes do Metal americano, a um dos nomes polémicos de 2015. E percebeu-se bem que muitos apenas estavam pela dinamarquesa Myrkur que baseou o seu concerto em “M”, disco de estreia do passado ano. O arranque deu-se com o single “Den Lille Piges Dod”, com a artista a um canto do palco, nos teclados. A passagem para o centro do espaço, deu-se mal e iniciou um conjunto de problemas técnicos em que os dois microfones usados, nem sempre resultaram e que prejudicou a execução de “Hævnen”. Com “Onde Børn”, novamente se tentou as teclas, mas a falta de microfone, levou a que a vocalista apenas ficasse no centro do palco ora cantando, ora tocando guitarra. Ladeada por um baixista e um guitarrista, a cantora utilizava um suporte em forma de árvore, e com dois microfones montados, ficando quase sempre escondida por eles, enquanto atrás estava o baterista. “Jeg Er Guden, I Er Tjenerne”, “Mordet”, “Dybt I Skoven”, “Skøgen Skulle Dø” e “Skaði” foram os restantes temas da noite, ficando para o final a versão de Bathory “Song To Hall Up High”. No balanço final, o concerto falhou essencialmente por questões técnicas, em “Skaði” apenas se ouvia uma guitarra, nunca conseguindo criar a magia que se esperava depois de ouvir “M”. Noutra altura, quem sabe…

Pela terceira vez em Portugal, os americanos DeafHeaven trazem um novo black metal que é polémico para muitos e que bebe do emo, do rock e a da pop, tudo conjugado em descargas de energia que não deixam ninguém insensível. Mas tudo dito, não se aproxima do que aconteceu na actuação do quinteto, muito por culpa do vocalista George Clarke que excedeu em muito o esperado. Com bom som e luz, o concerto arrancou com “Brought to the Water” do recente “New Bermuda”, disco que tocaram na íntegra. Veio “Luna” e seguiu-se “Baby Blue”, porventura um dos melhores da noite.

Nesta altura já se percebia bem que para lá do vocalista, também o guitarrista Kerry McCoy é um dos pilares do grupo, executando solos clássicos de puro Heavy Metal. O baterista Daniel Tracy também se revelou exímio, mas é na dupla McCoy/Clarke que reside a driving force do colectivo. O final chegou com “Come Back” e a fabulosa “Gifts For The Earth”, uma faixa que lembra, por momentos, uns Joy Division em versão zombie, rapidamente dilacerados por um qualquer tema slasher, enquanto o final do tema, parecia saído da banda sonora de Friday Night Lights. Black Metal? Sério? Não se notou.

O encore foi servido com dois temas já clássicos: “Sunbather” e “Dream House”. Para coroar a actuação, Clarke ainda se deixou cair no público que por momentos o susteve até chegar de novo ao palco, num crowdsurfing que mostrou a ligação entre público e músico, que antes já tinha passado pelo lançamento do micro para o meio do público que cantou e devolveu ao vocalista. Soberbo e, mesmo estando ainda em Março, certamente que este será um dos concertos do ano!

Texto: Emanuel Ferreira
Fotos: Barbara Soares



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