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After show

David Byrne no Coliseu dos Recreios

“Songs of David Byrne & Brian Eno” é o nome do espectáculo. Eno não deu o ar da sua graça, mas Byrne actuou pelos dois. Bastante comunicativo, começa por fazer referência aos fotógrafos, “os profissionais”, estrategicamente colocados do lado direito do palco. Porque o mais importante não é a presença da imprensa, mas sim do público e da música. Byrne informa que se pode fotografar, filmar, mandar sms, e-mails e tudo o que ocorresse ao público fazer.
Refere que durante o espectáculo vai falar, quem sabe sobre futebol e mais surpresas vão ocorrer. O público aguarda ansioso.

Todos os elementos da banda entram de branco. O palco simplista e “clean”, sem grandes ornamentações, porque o espectáculo é feito da música e é ela a principal forma de comunicação, sem distracções. Três bailarinos entram em palco, também eles de branco. Movimentos contemporâneos, movimentos do corpo que qualquer um pode fazer, desde que deixe o ritmo tomar conta de si. A coreografia da dança é quase espontânea e os bailarinos, os coristas e até o próprio Byrne dão os passos ensaiados, que divertem e deliciam os olhos de quem assiste.

De início, o público está tímido, reservado. Bate palmas entusiasticamente, mas ainda não houve aquele momento chave para acolher este senhor da forma merecida. Apenas um entusiasta se levanta e dança e salta, não aguentando o formigueiro transmitido pela música e pelo espectáculo. De repente, alguém não resiste e corre para perto do palco. E para onde vai um português, vão logo dois ou três. A primeira plateia ficou com o dobro da capacidade e quem pensava que ia ver o espectáculo sentadinho, confortavelmente, não teve outro remédio, senão levantar e aderir à festa. Mas ninguém se importou. O ritmo, a música, a dança, a voz de Byrne, compensou tudo.

O concerto durou aproximadamente 2 horas, teve direito a três encores e até se assistiu a uma aula de ballet. Bom, pelo menos todos estavam de tutu e Byrne despediu-se com uma vénia à bailarina, tal como no famoso bailado “Lago dos Cisnes”.

Tocou temas como “Strange Overtones", "I Zimbra", "Help Me Somebody", "Houses in Motion", "My Big Hands" (de Catherine Wheel), "Heaven", "Life is Long", "Cross-eyed and Painless", "Born Under Punches", "Once in a Lifetime" ou "Life During Wartime", entre outros. No final, a ovação em pé, as várias vénias dos elementos da banda, as imensas palmas, a saída ordenada e entusiasta, de quem relembrou velhos tempos. David Byrne está em grande e recomenda-se.

Serei(a) - Texto
Carla Tiga - Fotos

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