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After show

The Cure - Lisboa

As opiniões:

Com mais de 30 anos, os The Cure voltaram a pisar, pela sexta vez, um palco português. Há 4 anos passaram pelo Festival Vilar de Mouros.
Com eles trouxeram uma bagagem cheia de variedades estilísticas e abarcando diversas gerações.
Como disse Tiago, «3 horas e picos de concerto, muitas das melhores músicas das últimas 3 décadas... com uma sonoridade um pouco diferente pela falta das teclas, mas com o melhor das guitarras, bateria e voz!»

O Pavilhão Atlântico encheu-se de negro. E não só. «Viam-se grandes manchas de preto, de altos góticos de botas e correntes. Via-se pessoal mais novo que, como nós, têm uma certa pena de só ter podido conhecer os The Cure há relativamente pouco tempo. Via-se a geração dos trintas e dos quarentas e dos cinquentas, que não puderam perder a oportunidade de ver a banda dos bons velhos tempos. Tudo muito pacífico, muito harmónico, naquela amálgama de estilos, de ideologias... Naquela amálgama de vidas. Todas elas diferentes. Mas com, pelo menos, um ponto em comum. Os The Cure movem de facto montanhas.», diz Orlando Castro. E movem mesmo. A sala encheu até quase abarrotar. Desde as cinco horas da tarde, já se faziam filas para entrar. E todos os lugares eram privilegiados: eram os The Cure que entravam em palco!

Como descreve Sidónio Gomes, «Tons de roxo e vermelho iluminavam o palco aquando da entrada da banda. Como é normal, o majestoso Robert Smith aparece por último e o público entra em êxtase. À medida que os The Cure tocam os grandes êxitos, a multidão dança e salta e canta ao ouvir aquelas que foram as músicas que os acompanharam em diversas fases da sua vida. Pessoas de várias idades, entre os presentes tornam-se todos eles jovens durante 3 belíssimas horas.» Tornam-se jovens e voltam atrás no tempo: uns revivem décadas da sua juventude áurea, outros desejam ter lá estado. Mas, naquele momento, quando a banda de Robert Smith toca, somos todos do mesmo tempo, da mesma idade.

Joana Coutinho, como diz, ainda em «fase pós-concerto», «meia abananada e ao mesmo tempo meia extasiada», comenta: «Achei o concerto muito, muito bom: foram 3 horas e 4 encores (dizem que foram 3 mas na minha mente ainda ecoam canções e melodias, o meu encore pessoal). O Robert Smith encontrava-se um “pouquinho” embriagado, mas tal em nada prejudicou o espectáculo. Para mim foi muito emocionante: mal eles entraram em palco e arrancaram com o instrumental da “Plainsong” senti um aperto tão grande que mal ouvi a primeira palavra soar da boca daquele ser imaginário (ainda não sei se ele existe!) irrompi em lágrimas sinceras de uma adolescente de 18 anos que ansiava quase desesperadamente ouvir estes senhores ao vivo. Para mim os The Cure são A banda.
A voz daquele Senhor de 49 anos é certamente a mesma que tinha aos 16 quando escreveu a Killing an Arab, é tudo o que eu havia idealizado. Cantei e dancei, rodopiei e em alguns momentos julgo mesmo ter flutuado. Foi ascético! Estou com algumas expectativas em relação ao novo álbum.» Sim, porque os The Cure apresentaram algumas canções novas que fizeram o público salivar pelo novo álbum, que esperaremos ouvir ainda este ano num ‘compact disc’ ou num mp3.

O concerto:

Os The Cure entram em palco. "I think it's dark and it looks like rain… and the wind is blowing like it's the end of the world." E todo o público entra num qualquer-estado-cureano, “all waiting for the rain”. “My head falls backs and the walls crash down and the sky and the impossible explode… Held for one moment I remember a song, an impression of sound, then everything is gone forever. A strange day.” E toda a gente canta “all my dreams came true”. “The illusion is deep, it's as deep as the night.” E para todos “it's ‘just’ the end of the world.”
Aquela mulher, cujas rugas se mostram já vincadas, murmura “you make me feel like i am young again” e ao lado dela o marido põe-lhe o braço sobre os ombros e conta-lhe ao ouvido “there was nothing in the world that I ever wanted more”. E todos berram “the spiderman is having me for dinner tonight!”

A meio, o desejo é que a banda não pare de tocar. “Don't go away, don't let this end.” E a mulher responde ao marido: “it tells me how it feels to be new and every voice belongs to you.” “And everyone turned over troubled in their dreams again”, “like strawberries and cream”, “and just smiling at the sound” “inbetween days”. E as pessoas parecem “strange as angels dancing in the deepest oceans, twisting in the water”, e pensam “the further we go and older we grow, the more we know, the less we show”. E “it’s never enough!” E todos começam a ver tudo a cores de “lime green and tangerine, the sickly sweet colors of the devil in my dreams.” “It doesn't matter if we all die.” Mas tudo acaba. Robert canta-nos: “I leave you with photographs.”

Porém, “someone must be there”. Alguém berra “sing me a line from your favourite song”. “And wait... for something to happen”. “The sound is deep in the dark… again and again and again.” Novo fim.

Novo começo. Em palco, imparáveis: “We bite and scratch and scream all night. Let's go and throw all the songs we know...” Robert aconselha “stay alive but stay the same”. E os fãs acérrimos, na primeira fila, e mesmo os na última, respondem-lhe “I never thought tonight could ever be this close to me”, “why can’t I be you?” Outro fim.

E alguém, em desespero, afirma “I would tell you that I loved you, if I thought that you would stay.” E eles estão de volta. “Everyone’s happy”. Alienação do mundo lá fora.

“no sound
no people
no clocks
no people
no fine
no people
no me
no people”
“10.15 saturday night”. Já passas das 11 p.m.
Todas as emoções convergem para o derradeiro fim. “I’m alive, I’m dead.”

Setlist:

Plainsong
Prayers For The Rain
A Strange Day
Alt.End
The Blood
The End of the World
Lovesong
A Boy I Never Knew
Pictures of You
Lullaby
From The Edge of The Deep Green Sea
Kyoto Song
Please Project
The Walk
Push
Friday I'm In Love
In Between Days
Just Like Heaven
Primary
Never Enough
Wrong Number
One Hundred Years
Disintegration

ENCORE 1:
At Night
M
Play For Today
A Forest

ENCORE 2:
Lovecats
Let's Go To Bed
Freak Show
Close To Me
Why Can't I Be You

ENCORE 3:
Boys Don't Cry
Jumping Someone Else's Train
Grinding Halt
10.15 Saturday Night
Killing An Arab

Fim:

«Na verdade acho que ainda lá estou, no meio do recinto a ouvi-los tocar só para mim, pelo menos as minhas pernas ainda tremem e os meus braços ainda giram, naquela mágica noite de sábado.»

«Haverá alguma vez um melhor converto que este?
Não..»

J


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