Club Souto - CCOB - Barcelos

Club Souto: a noite em que o rock teve três nacionalidades

Com a casa quase cheia, o Círculo Católico Operário de Barcelos voltou a fazer história com mais uma noite repleta de rock, que contou com três línguas, mas a mesma paixão pela música.

Para abrir mais uma noite de Club Souto, os Mooon foram os primeiros a subir ao palco, trazendo a vibe dos anos 60 para a sala do CCOBar. Vindos diretamente da Holanda, a primeira banda da noite deixou o público a levitar com os seus ritmos cheios de Groove e os ecos exagerados nos “vocals”. Começando com “Too Cool for School”, os jovens artistas foram mostrando o seu estilo arrojado com trocadilhos como “Mary You Wanna”. A plateia barcelense não podia estar mais na onda da banda, que se auto denomina “um novo coletivo musical”, dançando ao som dos blues psicadélicos dos Mooon.

Depois da tour, que passou por Inglaterra e atravessou toda a Espanha, chegou a vez de atuarem em Barcelos. Apesar de ser o quarto concerto em Portugal, foi a primeira vez que os Le Voyeur pisaram o palco da terra do galo, recebidos por “um público muito respeitoso e com vontade de ouvir”. Com músicas de intervenção, como “Stalingrado” ou “La Cocina Gulag”, os Le Voyeur deixaram bem clara a sua posição crítica, “necessária nos tempos em que vivemos”. Miguel Marcos Fernández, vocalista da banda espanhola afirma que o projeto, com 8 anos, é “uma forma oral de um dever que temos, mas também escrito dentro da amoralidade”. Com o primeiro disco, produzido nos estúdios de Paul McCartney, o grupo Madrileno pretendia “falar do ensaio sobre a cegueira”. O LP “Episodio Aparentemente Letal” traz, agora um “pós-punk” sombrio, que traduz os erros e a beleza, que tanto apreciam, desta época. O concerto acabou com um poema, que não deixou lugar para barreiras linguísticas ou culturais. As palavras foram a chave deste concerto, que acabou em grande, com a participação de dois elementos do público.

Como o Club Souto não pode acabar sem deixar a casa a arder, os Sunflowers levaram toda a sua ousadia para o palco e fecharam mais uma edição com um concerto que queimou os últimos cartuchos. Se a noite já tinha sido de puro rock and roll, a dupla portuguesa chegou para mostrar que são precisos apenas dois para dominar uma sala cheia de amantes do psicadélico. 2015 foi o ano em que lançaram o EP “Ghosts, Witches and PB&Js”, que os tornou numa das grandes promessas portuguesas e das bandas mais emergentes desse ano. Desde então, Carlos Jesus e Carol Brandão têm levado sucessos como “Castle Spell” a todo o lado, apenas com uma guitarra e uma bateria. As influências são das “bandas sonoras dos filmes de kung fu dos anos 70”, mas é nos palcos que a dupla dá voz ao rock de garagem, que tal como os Mooon, tem um toque de Surf. ☆


Texto: Andreia Miranda
Fotos: Mariana Silva



      

Mooon

    

    


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