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After show

Festival Paredes de Coura 2011

Texto: Paulo Passos
Fotos: Daniel Bento

17 Agosto

Dia oficial de abertura do Festival, com previsões de mais uma edição bem sucedida em termos de publico, atendendo ao facto de a zona de campismo já estar repleta de tendas e campistas. Chegada ao recinto pelas 22:30, a tempo do concerto de Omar Souleyman, um Sirio com uma figura bastante caricata ( tunica, turbante, oculos de sol ) que munido de uma Beatbox e teclado e cantando em Arabe, não deixa de ser um bom inicio de festa, para gáudio de muitos dos presentes, que não se acanham de dançar e incentivar o artista.
Seguiram-se os Wild Beasts, banda muito acarinhada pela critica e que não deixou os seus creditos por mãos alheias, passando em revista principalmente faixas do ultimo album Smother, mas tambem do anterior, o não menos excelente Two Dancers. Um concerto entusiasmante, embora o som fosse piorando à medida que nos afastavamos da frente do palco, talvez devido à grande multidão que já se encontrava concentrada no recinto ( Neste dia a area do palco principal ainda se encontrava encerrada ).
Notava-se que uma boa fatia do publico presente ansiava pelo concerto dos Crystal Castles, banda que inclusivé já tinha actuado naquele espaço em 2007, mas que entretanto viu a sua popularidade crescer bastante. Uma nota negativa para a Banda, o facto de terem sido os unicos neste festival que não permitiram registo fotografico, as fotografias possiveis de tirar eram só do meio do publico e não no local habitualmente destinado a tal efeito.
A Ausência de ecrãs no palco secundario e a imensidão de pessoas presentes fez com que o concerto fosse apreciado algo longe do palco, embora se notasse perfeitamente a comunhão da banda com o publico, onde não faltaram todos os “hits” e uma vocalista como habitualmente, bastante frenética e entusiasmada, embora o som continuasse algo deficiente.
Tempo ainda para finalizar a noite ao som do DJ Espanhol Vladimir Dynamo.
Em resumo, uma boa noite de apresentação e a certeza que o restante festival prometia ser em grande.



Omar Soleyman



Crystal Castles

18 Agosto

No dia de abertura do palco principal, as honras de o abrirem couberam aos Crystal Stilts, banda americana de noise pop, que fez um concerto competente, mas sem entusiasmar por ai além os ainda poucos festivaleiros presentes no recinto. O mesmo se pode dizer dos Here We Go Magic, no palco secundario com boa musica, se bem que algo longa, o mais interessante desta banda acabou por ser a indumentaria havaiana e colorida das camisas que vestiam.
De novo no palco Ritek, a segunda banda são os Twin Shadow, banda com passagens recentes por Portugal ( deram à uns meses atrás um concerto bastante interessante em Vila do Conde ) e com Forget, um dos albuns mais bem recebidos do ano passado, na bagagem. O momento mais alto do concerto, já bem composto de publico, surge com “Slow”.
Começa a anoitecer,e assiste-se à chegada de mais pessoas, prontas para a actuação das Warpaint, banda que apesar de ter editado apenas um album ( The Fool ), no ano passado, não acusam a inexperiencia e dão um concerto bastante simpatico e agradavel para os milhares de festivaleiros já prostados em frente ao palco principal.
Tempo para nova visita ao palco secundario, onde os Esben & The Witch actuam perante uma plateia bem composta, e debitam as suas sonoridades rock a roçar o gotico e concerteza convenceram os fãs e ganharam mais alguns adeptos à sua causa.
Já com o recinto muito cheio, voltamos ao palco principal para seguir os Blonde Redhead, um trio dinâmico, talvez com poucas musicas conhecidas em Portugal, mas que mesmo assim conseguem entusiasmar o publico e ter uma boa performance.
No entanto, o que toda a gente esperava mesmo eram os Pulp. Depois de algumas provocações que iam sendo transmitidas em letras neon no palco, eis que surgem, por volta da meia noite e meia, o Sr. Jarvis Cocker e companhia, que arrancam com um fortissimo “Do you Remember the First Time ?” e engrenam para um dos melhores concertos que vimos de Paredes de Coura. Os hits estão todos lá, o vocalista é um showman puro, muito comunicativo com o publico, e os Pulp acabam por não desiludir, embora se note algum cansaço da banda e algumas pequenas falhas na voz de Jarvis, muito provavelmente por já levarem na bagagem uns 2 ou 3 meses de actuações contantes por varios festivais na Europa.
A fechar em grande, “Common People” ( Com um arranjo um pouco diferente ) leva ao delirio a multidão que se concentrou neste dia nas margens do Tabuão.
Uma ultima passagem neste dia pelo palco secundario, onde os espanhois Delorean tocam as suas sonoridades electro pop para algumas centenas de resistentes em terminar este primeiro dia.



Crystal Stilts



Twin Shadow



Warpaint



Esben & The Witch



Blonde Redhead



Pulp



Delorean

19 de Agosto

Inicio no palco secundario com a actuação dos You Can´t Win, Charlie Brown. Fico com a impressão que esta banda, apesar de tocarem muito bem, são uma banda de covers dos Fleet Foxes – Esta impressão só se desvanece nas duas ultimas musicas onde apresentam alguns traços de originalidade.
Primeira boa supresa do dia : Joy Formidable – O trio Galês apresenta-se sem medos e com imensa garra e energia ao publico presente no festival. Os ainda poucos que assistiram não deram o tempo como perdido, a banda foi energica quanto baste e terminaram com um frenesim fantastico dos 3 elementos nos pratos da bateria, o que sem duvida empolgou imenso os presentes. Destaque ainda para a banda ter sido a unica que fez referencia aos tragicos acontecimentos do dia anterior no festival Pukkelpop na Belgica.
No palco secundario, outra boa supresa foram os Summer Camp, banda resgatada à ultima da hora após o cancelamento dos Jamaica. Elogiaram a simpatia do publico português e realçaram a beleza da paisagem, contrastando com a nevoa de Londres, de onde tinham partido nessa mesma manhã. Em Palco debitaram um Indie Pop muito agradavel, com melodias simples e bonitas que ficam no ouvido.
Os Trail of Dead tocam no palco principal para uma plateia pouco numerosa, e dão um concerto algo desinteressante, com passagens muito instrumentais e devaneios musicas que ainda assim entusiasmam alguns dos presentes.
Seguiu-se outra banda instrumental, o trio Battles, que apoiados por dois ecrãs no palco provocaram uma reação bastante positiva com o seu rock preciso e matemático, que teve o apogeu no hit “Atlas” e que levou a que este fosse um dos mais bem conseguidos concertos do festival. Sem duvida, aposta ganha.
Entretanto, no palco secundario, tocavam os Chapel Club – pela sonoridade são bons musicos, mas mais uns dos inumeros filhos dos Joy Division, sem se notarem grandes diferenças entre este e muitos outroas bandas similares.
Depois entraram os Deerhunter, um concerto que era aguardado por alguns com grande expectativa, mas que não entusiasmou por ai além. Penso que é uma banda, que apesar de excelentes canções e um dos melhores albuns do ano passado ( Halcyon Digest ) funcionam talvez melhor em pequenos auditorios e não no grande palco de um festival desta dimensão.
Estava tudo a postos para os Kings of Convenience, cujo vocalista Erlend Oye já tinha dado o ar da sua graça ao passear-se na zona de campismo do festival e a deixar se fotografar num barco insuflavel no rio Tabuão.
A estrutura do concerto começa por ser simples – apenas voz e duas guitarras acusticas e vai-se desenvolvendo para um concerto bastante agradavel, embora as melodias acusticas fossem talvez mais talhadas para um final de tarde do que propriamente para a noite cerrada, embora se compreenda dado que os Kings Of Convenience são uns dos nomes mais sonantes de um cartaz que não tem grandes estrelas. Em suma, um concerto bonito, mas calmo demais para a hora que se efectuou.
A terminar o dia no palco principal, Marina & The Diamonds que fazem um concerto pop simples , mas que não chega para entusiasmar ninguem. Forma muitas as pessoas que abandonaram a area após o concerto anterior, notou-se algum desfazamento de Marina & The Diamonds com o resto do cartaz do festival. A opinião generalizada é a de que seria um concerto mais bem conseguido, tivesse sido ele efectuado no palco secundario e não no principal, muito menos a fechar uma das noites.
Quem encheu o palco secundario com um grande concerto foram os Metronomy, que trazem para apresentação aquele que é já considerado um dos grandes albuns do ano e é um dos candidatos ao Mercury Prize : The English Riviera
A julgar pelo numero de pessoas que ficaram para os escutar, teriam ficado mais bem colocados no palco principal.



You cant Win Charlie Brown



The Joy Formidable



Summer Camp



Trail Of Dead



Battles



Chapel Club



Deerhunter



Kings of Convenience



Marina & the Diamonds



Metronomy

20 Agosto

Ultimo dia de Paredes de Coura, chega-se ao recinto a tempo de apanhar a actuação dos Peixe:Avião no palco secundario com ainda pouca gente, mas com uma actuação solida e direito a uma pequena claque, o que é normal, sendo a banda de Braga estão praticamente a jogar em casa.
Seguimos para o palco principal onde é tambem portuguesa a banda que inicia as hostilidades : os Linda Martini. Sem duvida um dos momentos altos do festival, com direito a mosh e muito, mas mesmo muito entusiasmo dos fãs em delirio pela banda de Queluz que souberam retibuir com um concerto muito energico. De notar que o volume estava extremamente alto, foi sem duvida o concerto com o maior nivel de decibeis de todo o festival.
Nova subida para o Palco Secundario, onde se prepara para actuar um dos nomes mais aclamados de 2011 : Kurt Vile, que vem apresentar o brilhante “Smoke Ring For My Halo”. Começa o concerto sozinho, com guitarra acustica, mas logo se junta a banda após a primeira musica para um concerto competente, mas nota-se que a soa melhor o disco do que ao vivo. Não faltou claro está, Baby´s Arms, uma das musicas do ano.
No palco principal espreita-se a actuação de Maika Makovski, espanhola de origem macedónia que veio substituir os Foster The People. Pouca assistência, e tirando alguns dos Nuestros Hermanos que assistem ao concerto, conhecimento nulo das canções apresentadas, e uma musica de cantautora indie que não deixa saudades.
Volto ao palco secundario para assistir à actuação dos Viva Brother, que apesar de se apresentarem para um numero muito reduzido de festivaleiros, tocam com muita garra e determinação os temas do recentemente editado album de estreia Famous First Words. As canções são rock britânico, com muita onda e que sem duvida mereciam um publico bem mais numeroso do que as poucas dezenas que os viram.
No Palco principal, os Two Door Cinema Club sentem-se à vontade a tocar os seus temas de indie pop, alguns bem conhecidos do publico devido a serem pano de fundo de anuncios de telemoveis, conseguem agarrar bem a plateia, muita animação e um dos concertos mais bem conseguidos desta edição, apesar das musicas ( inclusive uma musica estreada em Portugal, “ Sleep Alone” soarem todas mais ao menos ao mesmo.
De novo no palco secundario, uma multidão consideravel segue com entusiasmo a actuação do duo de noise garage No Age que conseguem com que se assista neste palco, a verdadeiras cenas freneticas de Crowd Surfing e Mosh. Muita, mesmo muita energia e potência provam mais uma vez que os No Age são neste momento, a par dos Black Keys, das melhores bandas de garage contemporâneas.
Doze anos depois da sua passagem pelo festival, os Mogwai voltaram a Paredes de Coura para um concerto onde se apresentam para uma plateia desta vez interessada e não desiludem : Uma bateria e quatro guitarras fazem ecoar pelo recinto indie rock cosmico e de qualidade.
A banda que cabe a honra de fechar esta edição, no que concerne ao palco principal, são os recem reformados Death From Above 1979, que apesar da curta carreira em termos de gravações ( apenas um album e um EP ) conseguem fechar o festival na perfeição, dando um concerto memoravel e excitante, ao que o publico correspondeu em pleno.
O festival termina com as actuações no palco secundario After Hours dos Orelha Negra e dos Terry Hooligan vs Rico Tubbs.



Linda Martini



Kurt Vile



Maika Makovski



Two Door Cinema Club



No Age



Mogwai



Death from Above 1979

Em Resumo, mais uma edição de um Festival prestes a atingir as duas decadas de existencia e que provou ser, sem necessidade de nomes sonantes nem de grandes orçamentos, o melhor dos Festivais de verão em Portugal.
A grande novidade deste ano terá sido os dois palcos a funcionar em simultâneo. Dado a enchente que se verificou no geral em ambos, foi sem duvida uma boa aposta. Ao contrario de outros festivais recinto não acomoda mais gente daquela para que tem capacidade, a carga publicitária é muito reduzida e as pessoas estão lá realmente para ouvir musica, estão em Paredes porque apreciam musica, não estão para se mostrarem nas revistas sociais ou para se distrairem em pseudo diversões sem sequer se darem ao trabalho de ouvir e conhecer as bandas.
Pelo que ouvi as condições do campismo tambem eram bastante superiores às dos festivais que se realizam mais a sul. A maior prova que o festival foi um verdadeiro sucesso é a grande afluência registada nesta edição ainda que grande parte das bandas sejam quase desconhecidas para a maioria do público. De facto a única nota negativa do Festival foi a inexplicável presença ao final da tarde de enxames de vespas, que constantemente incomodavam e picavam o publico.
Uma aposta ganha em todas as frentes : para o ano haverá mais !!



Le Butcherettes



Quarteto de Bolso



Viva Brother



We Trust

Texto: Paulo Passos
Fotos: Daniel Bento

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