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After show

Paredes de Coura 2007



Longa se tornou a espera e rapidamente passou por todos nós, o encanto, a pureza, a magia deste grande festival minhoto, que tanto orgulho nos dá a nós portugueses, por ter um festival de fazer inveja a muitos europeus!

Nomes como Sonic Youth e The Sunshine Underground em destaque maximo, a grandeza de Gogol Bordello, a timidez de Electrelane e Architecture in Helsinki, o indie rock de Sparta e Spoon, as extravagancias de Pete Doherty e as competências nacionais de Linda Martini, Mão Morta, Blasted Mechanism, Mundo Cão e Sizo! Todos estes nomes fizeram história. Uma vez mais, Paredes de Coura fez história.

O relato de todas as emoções segue de imediato. As imagens, foram gentilmente cedidas por Rui Luís, um amigo da casa.

Arrancou então no passado dia 12 o Festival Paredes de Coura que conta já com a sua 15ª edição.
A tradição ainda se mantém. Música de qualidade, publico fiel e a chuva que marca sempre presença no único evento do género a norte, depois do cancelamento do festival em Vilar de Mouros.
A edição de 2007 arrancou no Domingo dia 12 com a banda portuense Sizo. Uma nova banda que já provou ter conteúdos para um futuro de excelência.
Foi um arranque morno na noite de recepção ao campista, não pela falta de publico que invadira há já alguns dias o parque de campismo, mas pela noite fria que se fazia sentir e pela também frieza da banda Devotchka encontrando-se algo desenquadrada da noite que prometia ser de dança.

Depois de consumado o arranque no festival, a grande invasão foi feita no início da noite de Segunda-feira com os portugueses Blasted Mechanism em grande destaque na apresentação do seu novo registo «Sound in Light». Foi sem duvida a banda da noite, a banda que reuniu mais simpatias e mais animação.
Antes estiveram presentes os New Young Pony Club e os Sparta. Os primeiros tudo fizeram para pôr a dançar os poucos presentes no recinto, os Sparta já conseguiram animar bem mais com seu rock indie, fruto das escolas dos At the Drive In.
Anunciado o cancelamento dos suecos Mando Diao, e que causou tristezas em quem os queria ver, e segundo João Carvalho da organização afirmou em conferência de imprensa, houve quem viesse da Suécia propositadamente para os ver. Uma pena esta única desistência de todo o festival.
Depois do alienismo dos nacionais Blasted Mechanism, a presença de M.I.A. em estreia em Portugal, algo despida em palco, não de roupa, mas sim de instrumentos. Apenas um dj e uma segunda voz em palco, provocaram estranheza nesta noite. A fechar a noite, o polémico Pete Doherty apresenta-se com os seus Babyshambles, numa actuação pop rock, provocando histeria por parte dos fãs das primeiras filas. Muito se falava sobre as aventuras de Pete, mas nada de anormal se passou em Paredes de Coura.

Terça-feira dia 14, começou bem cedo com a actuação no palco secundário de Mundo Cão, onde foram bastantes os presentes para ver a excelente actuação da banda de Pedro Laginha. Uma aparição intensa, com temas poderosos que fazem parte do disco de estreia. Um início brilhante neste palco, que na tarde anterior já havia recebido Slimmy, também ele, um nome forte a surgir em Portugal, e ainda duas bandas espanholas que apadrinharam este palco denominado Ibero Sounds.
Os Spoon inauguraram o dia do palco principal. Uma presença agradável de se ver e ouvir. O nome mais aguardado de todo o festival entra em cena com o seu “punk” cigano. Gogol Bordello depois de ter estado semanas antes no festival de Sines, regressa a Portugal, agora no Norte, para uma mão cheia de êxitos bem dispostos e para apresentar o novo registo «Super Taranta». Uma actuação que pecou por curta e por ser ainda á luz do dia, mas mesmo assim, foi a festa e alegria do princípio ao fim. Ninguém ficou parado e indiferente! Foi geral a animação! Todos queremos um rápido regresso dos Gogol Bordello.

Com alguns problemas de ordem técnica, os australianos Architecture in Helsinki em primeira aparição nacional, demonstraram-se sabedores de bons temas, trocando os instrumentos entre si, causando muito bem-estar nas margens do Tabuão.
Mais um grande momento nacional em palco. O regresso dos bracarenses Mão Morta a Paredes de Coura, numa actuação livre que percorreu todos os grandes momentos de uma carreira que se aproxima vertiginosamente do seu final. Esperemos que não. A banda de Adolfo Luxúria Canibal, está melhor que nunca.
Dois dos grandes nomes do cartaz deste ano, fecharam a segunda noite no palco principal. Dois nomes de peso, de respeito e de muito saber. Foi uma noite de puro rock, embebido de bastante sabedoria. Os New York Dolls ao fim de tantos anos de carreira, apresentam-se finalmente em Portugal e com o brinde de uma actuação de 2 horas. De seguida, Dinossaur Jr. souberam fechar a noite com chave de ouro, com uma actuação bastante saudável, onde não faltaram os clássicos da banda do mítico J. Mascis.
Nota mais de que positiva para o comportamento dos milhares que não abandonaram o recinto, debaixo de chuva intensa, chuva que teimosamente teria que aparecer neste festival de Verão!

Terceiro e ultimo dia do festival com os Born a Lion e o espanhóis The Right Ons no palco secundário, palco este que também se transformou um discoteca no final de cada noite com as concorridas “After Hours” onde no final do festival, os U-Clic de Tomar, apresentaram ao vivo o seu disco de estreia «Console Pupils». Uma brilhante actuação recheada de imagens e muita batida dançante. Um fechar em beleza deste festival marcante e que segundo o anúncio da organização em conferência de imprensa, voltará em 2008 com novas datas, arrastando o festival para um fim-de-semana situado entre Julho e Agosto (31 de Julho, 1, 2 e 3 de Agosto). Uma mudança necessária refere a Ritmos, organizadora de sempre de Paredes de Coura.

Para a recta final deste festival, mais uma excelente prestação nacional no palco principal. Linda Martini apresentaram já maturidade e bem-estar diante de uma audiência imensa. Foi também um concretizar de um sonho ao pisarem o mesmo palco do que os seus “Deuses” Sonic Youth. E foram mesmo os Norte-Americanos Sonic Youth que registaram maior afluência ao recinto completando por inteiro a lotação. Magnifico!
Sonic Youth que estão em excelente forma apresentando com a máxima energia o seu 14º registo «Rather Ripped» culminando com 2 encores, fazendo um concerto inesquecível. Não haveria melhor forma de fechar o cartaz de 2007.

Pelo meio houve ainda a excelente actuação das meninas Electrelane com uma leve sonoridade britânica, seguindo-se os The Sunshine Underground. Bastante aguardados por muitos, devido ao surpreendente disco «Raise the Alarm». Muita boa disposição, muito rock e boas canções a vincar também aqui uma das melhores presenças de todo o festival. Um regresso igualmente venerado.
Paredes de Coura ganha um novo estatuto no seu historial. É o festival que permite no seu cartaz, as bandas que vão sendo a banda sonora de campanhas de operadoras móveis no mercado. Depois dos Mew e dos Bloc Party, coube este ano aos Peter, Bjorn & John, fazer parte deste marco tudo por culpa do assobio do momento no tema “Young Folks”. Foi sem duvida um dos pontos altos da actuação deste trio que se apresentou sem John, substituído por um novo baterista. Uma actuação interessante mas que quase se apagou com a presença circense de Cansei de Ser Sexy. Outra actuação bastante aguardada nesta noite. Colorida pela cor dos balões que invadiam o palco e pelos temas que tem vindo a fazer parte que qualquer festa por todo o mundo… “Alala”, “Of the Hock” ou “Let’s Make Love and Listen to Death From Above”. Tudo temas de «CSS», o álbum que colocou os brasileiros em grande patamar e que não deixou ninguém indiferente no recinto.

Ficou assim preenchida mais uma edição do Festival. A qualidade manteve o seu estatuto, a diferença e a simpatia que Paredes de Coura nos habituou.

Em 2008 regressaremos ao local de todas as alegrias, com nova data e com a mesma garantia de sempre.

Texto: Vítor Pinto / Fotos: Rui Luís (www.ideiasnoescuro.com / www.ideiasnoescuro.blogspot.com)






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