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After show
Paredes de Coura
De regresso ao verde imenso que invade Paredes de Coura, de regresso á aldeia Azul… Aldeia que recebeu uma vez mais, milhares de conhecedores e amantes de boa musica, os mesmos que todos os anos tornam este festival único e bem especial a nível europeu.
Dois dias antes do arranque oficial do evento e já campismo e tudo á volta, se esgotava de espaços vazios, devido á imensa afluência do publico, o que levou a organização a criar um pré arranque com Pedro Gonçalves nas ondas Reggae e com os No Dj’s (Rui Estêvão e o endiabrado Nuno Calado). Assim foi a abertura do festival, muito antes da festa de recepção ao campista, recepção essa, já tardia porque os campistas se haviam instalado há bastante tempo.
As manhãs e as tardes foram de bem-estar profundo, quer na praia fluvial do Tabuão, quer no espaço Ruby, o local criado nesta edição para se estar bem com a natureza. Perfeito! Pena foi a chuva nos dois últimos dias…
O frio nocturno é bastante, mas o calor humano é mais do que muito. Publico este que ferveu no palco “After Hours” todas as noites. Na primeira noite, a tal de recepção, os Corsage (4/5) em tons neoclássicos (Smiths/Nick Cave) para uma assistência atenta, mas… sentada. Bandex (5/5) em formato contrabandista muito “cool” num resultado perfeito entre um “Bófia”, tema de excelência, e um “Hotel Dani” local preferido do gang do bigode.
Na segunda noite, mesmo debaixo de intensa chuva, os X-Wife (4/5) conseguiram tocar para uma imensa assistência que resistia e dançava ao som dos portuenses. Apresentaram o novo registo “Side Effects” e passearam sobre os temas que lhes garantiu o reconhecimento. A aquisição de um baterista (André Holanda ex. Zen), veio trazer uma nova sonoridade, mais orgânica e menos electrónica. Muito bons estes “novos” X-Wife.
O palco Ruby, para além de todo o bem-estar, oferece-nos ciclos de leitura “Avant-Gard” circulando por entre Isaque Ferreira e Pedro Ribeiro, contando também no último dia com Adolfo Luxúria Canibal.
White Rose Movement (5/5) com seu electro bem disposto, a merecer aqui uma emergente subida de divisão. Abriram o palco do primeiro dia ás… 6 da tarde!!! “Girl in a Back” o tema que demarcou a energia deste novo conceito de som. Britânicos Gomez (3/5) de regresso e a pedido dos próprios, tal como fizeram os !!!. Um pop descontraído, bom para o final de tarde com todo o carinho do publico que os acolheu.
Morrissey (3/5) bem igual a si próprio. Uma chegada ao recinto de luxo, num potente Mercedes, juntamente com seus cinco Morrissey Boys de uniforme colectivo. Depois, foi um desfilar de novos temas que fazem parte do novo «Ringleader of the Tormentors», e os sucessos já declamados. Com tudo isto, a chuva chega em força, mas a assistência, delíra em força. A explosão em “Girlfriend in a Coma” e a chuva abençoada pelo ex. Smith, caiu sem piedade. Exigia-se um pouco mais de dedicação por parte de Morrissey, mas todos estes anos parecem-lhe pesar já bastante, como e pode confirmar no final do concerto quando a meio de “Panic”, abandona o palco sem explicações. Enfim!
Nacionais Vicious Five (4/5) sobre um cenário de chuva, colorido pelas inúmeras capas de chuva espalhadas pelo recinto. Com o fim da chuva a olhos vistos, «Up on the Wall» tocado de uma ponta a outra, ficando no final a já habitual versão “ Fight for your Rights” dos Beastie Boys. Eagles of Death Metal (5/5) e o puro rock’n’roll servido com toda a potência em mais uma fabulosa estreia por cá, fazendo explodir, mesmo sem Josh Holmes, o álbum “Death by Sex” de 2006. Apaixonaram-se por Portugal, e também pelas nossas mulheres, e assinaram um dos melhores momentos do festival com temas como “Boys Bad News”, “The Sun as Return for Rock’n’Roll” e “I Only Want You”, assim como as versões dignas de “Brown Sugar” dos Rolling Stones e “New Rose” dos Queens of the Stone Age. Memorável!
Gang of Four (5/5) numa entrada triunfal em palco, com o excêntrico Jon Kin que saltou, rebolou, gritou, gatinhou e cantou, como o fizera há uns bons pares de anos. Em muito boa forma estes senhores, que elevaram ao delírio dos presentes, quando resolvem destruir um micro ondas com um taco de basebol, por entre guitarras quase falantes nos momentos “Glass”, “Essence” ou até mesmo “Army”. Karen O com todo o seu glamour que é sentido em Paredes de Coura, trazendo consigo uma capa de chuva que se foi destruindo aos poucos. “Date With the Night” nos movimentos de arranque com as danças endiabradas como é hábito ver na nova diva do punk rock. “Gold Lion” em constante delírio e por entre “Miles Away” e “Maps”, o anúncio de que os Yeah Yeah Yeah’s (4/5) amam Portugal. “Y Control” fecha a fornada de um concerto perfeito (mais um!).
Dia derradeiro da edição 2006, e som tranquilo vindo dos espanhóis Catpeople (3/5) e todo um pop rock suave com tendências negras por parte do vocalista. “I Wanna Be Addored” dos Stone Roses em versão a servir de aquecimento. De Estocolmo, os Shout Out Louds (4/5) que nos fizeram saborear canções tranquilas. Momentos que nos fizeram recordar Robert Smith em dias de glória, mas com sabores mais coloridos. Muito bons!
!!! (4/5) , o som electro pop de volta ao local do crime. Já tínhamos saudades do estilo inconfundível dos vocalistas, tão acarinhados pelo público. O álbum apresentado ainda é o mesmo do ano passado, acusando alguns temas novos para refrescar. Prometeram voltar para o ano, mas agora como cabeças de cartaz. The Cramps (4/5) chegaram “ao lugar no meio do nada” como referiu Lux Interior. Rock da velha guarda com as marcas da idade bem visíveis. O poder da música, esse continua bem presente e sente-se na emoção dos presentes. Musicas dedicadas a Satanás com o salientar do ódio de Deus aos The Cramps, tudo devido á forte chuva que regresso em peso. “Primitive” e todo o estado puro do Rockabilly, vinho que se entorna por entre uma harmónica, ou até mesmo todo o glamour azedo de Poison Ivy Aconteceram sentimentos com tendências Punk embebidos nos excessos álcool dos festejos que culminam em tripés partidos e cabos de microfone cortados. Tudo isto servido em perfeita harmonia por termos os eternos The Cramps por cá.
O regresso dos Bauhaus (5/5) a Portugal e entrada triunfal com a dupla “Double Dare” e “In the Flat Field”. Peter Murphy voador, um feiticeiro do tempo. Daniel Ash em grande forma e presença em estilo. “She’s in Parties” com o homem pássaro (P. Murphy) em grande estilo, a sobrevoar a encosta do festival, com todo um passado desta banda de culto. Um voou de glória. “Kick in the Eye” na dança das negras almas dos vultos em palco, seguindo-se “Dark Entries” e o anúncio de Peter Murphy: “Que Deus vos proteja!” em bom português. Bem perto do fim “Transmition” dos Joy Division, com um estado imparável da banda, e o encore com Daniel Ash a dar vida á sua guitarra para se ressuscitar uma vez mais “Bela Lugosi’s Dead”. Para o quadro da memória!
Concluída mais uma etapa, mais um festival de excelência, que segundo a organização pelas palavras de José Barreiros, o festival superou as expectativas, apesar do mau tempo. “Com o esforço de todos, foi possível construir a melhor edição de sempre.”- referiu e continuou: “Há uma paixão de todas as bandas quando sobem a este palco. E toda essa alegria dos músicos, já é compensadora de tanto trabalho!”
Paredes de Coura está definitivamente entre os melhores da Europa! Até 2007!
Texto e Fotos: Vítor Pinto
O festival que se sente!


Espaço este, também frisado pela organização, que salienta a nova imagem do festival, com uma nova programação, um cartaz aberto… Ou seja, um festival novo. “Um festival feito com o coração” – referiu a organização. João Carvalho, confirmou ter nesta edição o melhor cartaz de sempre, não querendo com isto ser o maior e o melhor do que todos os outros. “Queremos ser nós próprios! A adopção aos espanhóis já se tornou num fenómeno, venham agora os ingleses.”
A parceria com a Heineken foi perfeita, a causadora da nova imagem do festival e que o continuará a ser por mais 3 anos. “Foi um amor á primeira vista!” – referiu António Moreira, o representante em Portugal da marca de cerveja que foi a pioneira no mundo inteiro a apoiar acontecimentos musicais.

Revelação desta noite. Os germânicos Warren Suicide (5/5) e o seu electro – industrial futurista, com a devida saudação em “Hello” no primeiro tema e o mesmo som no final, transformado então em “Goodbye”. Pelo meio, “12” com um endiabrado guitarrista, um feiticeiro tornado baterista, e a gentileza da voz feminina. “It’s All So Easy” e a continuação do fado em revelação por estes lados, com o orelhudo dançante “We’re Adjusting Ourselves”. Extrema boa disposição em palco, com os presentes em autêntico delírio.

Noite seguinte e uma surpresa. A presença dos chilenos Panico (4/5) por estas bandas. Eles que satisfizeram por completo as mentes dançantes do festival. Antes estiveram os britânicos Members of the Public (3/5), eles que passaram um pouco ao lado de todos.
A fechar a última noite do evento, esteve presente uma das bandas revelações por terras britânicas, levando mesmo o estatuto de melhor presença ao vivo por aqueles lados. Por cá, e debaixo de chuva, os Selfish Cunt (2/5) ficaram muito a desejar, com o seu electro provocante.

No mesmo palco é servido o mítico jazz na relva que abriu com o quarteto Zé Eduardo Unit. No segundo dia o jazz dos 4 Walls, foi transferido para o centro cultural, tal como os Insert Coin na última tarde, perdendo-se assim o encanto do som jazzístico relaxado nas margens do rio.

Muita comunicação e movimento por parte dos noruegueses Madrugada (3/5), que souberam entrar em força mas depressa se perderam, acalmando lentamente até ao final. Chegados de Toronto, os Broken Social Scene (5/5) num som surpreendente rotulado por muitos como os novos Arcade Fire, devido ao seu folk "made in Canada". Na nossa opinião, o som dos B.S.C. fica bem distante da banda revelação do ano passado. Um perfeito espectáculo para aquela que foi uma das ultimas actuações da banda formada por 11 elementos, e que suavemente introduziu sentimento nas nossas almas.


Fischerspooner (4/5) com uma introdução em formato caixinha de musica, com a respectiva bailarina em palco e os primeiros sons debaixo de imensa chuva. Dois álbuns para se fazerem ouvir e encher as vistas com o bailado teatral culminando com uma chuva de pequenos papéis que se juntava á verdadeira chuva. Muito ritmo em Coura e uma ameaça de “Emerge”, o momento que todos aguardavam. Sai um novo tema “Don’t Give a Damn” que vai fazer parte já do próximo registo, e “Never Win”, tema este que se apresenta por entre plumas e fatos coloridos. “Emerge” emergiu só no encore em formato Cristóvão Colombo amarelado. O momento foi de explosão. 

Em mais uma estreia por cá, Bloc Party (5/5) apresentaram o seu único disco até á data «Silent Alarm» e de lá, o novo rock de uma nova banda chegada de U.K.. “Banquet” fez as delícias do público que enchia o recinto de alto a baixo. Espectáculo de extremo bom gosto. Muita dança e um som fabuloso. “This Modern Love” e “Helicopter” recebido em abraços e muita boa disposição. Encore pedido com insistência, e “Two More Years” aparece quando o vocalista Kele Okereke veste uma capa de chuva, para finalizar com o belíssimo “Blue Light”. Mais um para as memórias courenses.
“Nobody Moves, Nobody Get Hurt” na entrada triunfal dos We Are Scientists (4/5). A banda que sofreu bastante para manter a festa pós Bloc Party. Mesmo assim, uma excelente actuação para este trio poderoso com a energia na bateria magica de Michael Tapper, a excentricidade na guitarra e voz de Keith Murray e o ecletismo no baixo de Chris Cain. Final bombástico em formato “até já!” com “The Great Escape”.

Estreia dos Maduros (5/5) em palco. Zé Pedro á cabeça, Jorge Coelho e Alexandre Soares nas guitarras, Fredd na bateria e Pedro Gonçalves no baixo. Colectivo reunido por gozo e agora por aqui expostos em formato rock cantado em português e muito interventivo. “Call Up” , a versão para os Clash a fechar este momento, esta nova página da história da música nacional.






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