The Bug vs Earth

À entrada vendiam-se tampões para os ouvidos, e só não comprou quem das duas, uma: ou não fazia ideia do que ia ver, ou já sabia ao que ia e por isso mesmo dispensou as proteções. 
Pouco passava das 22h quando no palco do Black Box do GNRation surge primeiro o pioneiro do drone, Dylan Carlson, que foi afinando a guitarra até que aparece The Bug, sr. Kevin Martin, e pôs fim à antecipação que se presenciava na sala. 
Os primeiros 10/15 min de concerto foram uma ode ao noise e ao drone, um autêntico combate de titãs, da mesa de som de The Bug saíam ambiências pesadas, comprimidas, cada vez mais acentuadas, e a guitarra do líder dos Earth lançava drones que rasgavam a sala ao meio. Sem antecipação possível, surge “Gasoline” e arrasa com o Black Box, graves elevadíssimos que fazem tremer o chão, a vibração toda do background dancehall e dub de The Bug mas numa versão não tão dançável mas acima de tudo meditativa. Estamos habituados a ouvir vozes e a detectar múltiplas personalidades em The Bug, a verdade é que Concrete Desert é um registo solitário, formado a partir de um sentimento de alienação, que dá resposta a um ambiente real que não é especifico a uma certa cidade. Em vez disso, parece um espaço paralelo que constrói uma impressão de uma futura distopia. 
O ponto alto do álbum acabou por não corresponder ao ponto alto do concerto, se até aqui o soundsystem estava à altura, em “Snakes vs Rats” parece ter perdido algum fôlego, falhando em não nos ter deixado momentaneamente surdos. 
A mensagem que devemos retirar de The Bug vs Dylan Carson quando apresentam Concrete Desert é diferente de todos os álbuns de The Bug: a beleza, a luz e a esperança podem ser encontradas nos pontos mais sombrios. ☆


Texto: André Coelho
Fotos: Raquel Nunes

    

    

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