Festa do 8º Aniversário do blog Bran Morrighan no Musicbox

Projecto pessoal de Sofia Teixeira, o Blog Bran Morrighan tem vindo desde 2008 e ao longo dos anos a estabelecer a sua presença como um marco de difusão cultural no cíber espaço e redes sociais, de forma descomplicada, sem manias, e que pretende dar destaque a novos agentes culturais, Portugueses e não só.
Esse mote fez com que o Bran Morrighan fosse gradualmente ganhando reconheciento enquanto página cultural, com a capacidade de se auto-promover e de dar a conhecer artistas (mais ou menos célebres) que a blogger considerava importantes para serem divulgados para o público.
Tendo sido iniciado como um blog para a apresentação e debate de conteúdos pagãos (daí a origem do nome, Morrighan, a deusa celta), a página tem vindo a metamorfosear-se ao longo dos tempos, para incluír críticas literárias numa primeira instância, e mais "recentemente", com incursões na música, sobretudo nacional (resultado da associação da blogger à Omnirchord Records).

E é precisamente nesse contexto que nasce o conceito do Aniversário do Bran Morrighan. Temos uma pessoa que adora cultura e que melhor do que isso, adora partilhar cultura. Numa fusão perfeita compreendida entre gostos culturais alternativos; uma página com sucesso e ao mesmo tempo ligaçoes com todo um conjunto de pessoas que fazem mover a cultura portuguesa, Sofia escolheu a data de aniversário do seu espaço para criar algo que pretende dinamizar nomes que não tem só que ver com a sua página, mas também com a cultura portuguesa contemporânea.
Que melhor maneira do que unir tudo isto do que celebrando uma festa de anos para o blog, com uma autêntica renovação do mesmo, e criando um (ou dois neste caso, Lisboa a 6 de Janeiro; Porto a 3 de Fevereiro) mini-festivais que claramente já cativaram o público?


      


A acontecer pelo terceiro ano consecutivo, a 6 de Janeiro de 2017 rumámos todos ao Musicbox para comemorar com a Sofia o aniversário do seu "espaço", no qual iriam comparecer três bandas. Daily Misconceptions; Mira, Un Lobo, e os mais aguardados da noite, First Breath After Coma.

Em primeiro lugar, temos um projecto paralelo de Débora Umbelino (aka Surma) com João Santos, que tem vindo desde a primavera de 2016 a produzir conteúdos para surpreender os fãs. Electrónica com a sua dose de Pop, dançante, mas ainda assim imersivo, a dupla conseguiu atrair a atenção do público balançando a pista e preparando a audiência para o que ainda estaria por vir.
Mira, Un Lobo, projecto de Luis F. De Sousa, que se apresenta em palco num trío, em conjunto com Eliana Fernandes (Voz e Sintetizadores) e Nuno Lamy (sintetizadores e guitarra), apesar de serem uma banda composta por integrantes exclusivamente portugueses, nunca se tinham estreado por terras lusas, tendo este concerto servido não só como apresentação do albúm mas também da banda ao público nacional. Caracterizados por um electrónica complexa, com reverbações de vários estilos diferentes, mas flutuando na sombra do chillwave, hipnotizaram o público não só com a atitude positiva e jovial, mas sobretudo com a sua música intensa, capaz de erguer uns cabelos na nuca.
Por fim, o grande nome da noite que todos esperavam ansiosamente por ver – First Breath After Coma. Fundados originalmente em 2012, o quinteto originário de Leiria lançou o seu primeiro albúm conceptual em 2013, onde estaria longe de pensar que aquilo que estavam a criar por gosto pessoal os levaria em ascenção meteórica, com reconhecimento imediato por parte do público, nacional e internacional. Desde aí já percorram e lotaram salas por Portugal de norte a sul, foram a Espanha; França, Alemanha, Inglaterra, e mais recentemente marcaram presença no Eurosonic Noorderslag na Holanda, integrantes de uma autêntica comitiva (erca de 20 bandas) que foi a terras neerlandesas apresentar aquilo que de melhor se está a fazer na música Portuguesa. Com um estilo que baseado no post-rock, mas que se funde com o rock de ambiente e instrumental, com uns laivos de electronica-indie, os First Breath After Coma vieram para ficar, para se tornarem num marco da música portuguesa e para ajudarem a espalhar por esse mundo fora que a música portuguesa está sã, e que consegue competir com o que se faz a nível internacional. Inseridos no ambiente da Omnichord Records e tendo sido uma escolha pessoal da Sofia para celebrar o aniversário do seu espaço, os First Breath After Coma trouxeram ao Musicbox o seu segundo albúm – Drifter – uma nova abordagem da banda, com a capacidade de fazer o público navegar e submergir no mar que são as suas canções. Ritmícas mas também lânguidas, as músicas de Drifter fazem-nos navegar, divagar, fechar os olhos ao som da música e assim "sair da sala" e viajar pelo universo por eles criado.
A noite só ficou de facto completa quando, a duas músicas do final, se juntou em palco aquele que tantos esperavam, a colaboração perfeita para a sonoridade dos First Breath. Estamos a falar de David Santos, aka Noiserv. O homem-orquestra apresentasse em palco para interpretar "Umbrae", o hino melancolista que une os dois projectos, e assim levar o público ao extâse, ficando depois ao comando da guitarra para ajudar a fechar o concerto, com um público completamente rendido ao que estava a acontecer no palco.

Resta-nos dizer que é bom ver eventos como este. É bom ver inter-ajuda. É bom ver a cultura portuguesa activa, participativa e cooperativa, que se apoia nos seus vários agentes, para assim se dinamizar, evoluír e expandir. Uma vez mais, é importante de salientar que foi um prazer estar presente neste acontecimento, e que esperemos que se repita por muitos andos vindouros. Queremos muitos mais Aniversários do Bran Morrighan nas nossas agendas. Obrigado Sofia! E até para o ano!☆

Texto e fotos: Filipe Martins

    

    

    

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