Aftershow

Festival Bons Sons

A aldeia de Cem Soldos, Tomar, recebeu estes dias mais uma edição do festival Bons Sons. Este ano esperava-se algo em grande, que fizesse jus à comemoração dos dez anos de existência do festival, que começou por ser um evento que acontecia de dois em dois anos mas que o público crescente, "obrigou" a torná-lo anual. Nesta edição não foi diferente e estima-se, segundo dados da organização, que cerca de trinta e duas mil pessoas tenham visitado a aldeia.

Em cada canto havia espaço para montar um palco, num total de oito, ora às portas da igreja, dentro dela, num antigo coreto colorido e até na eira, com bares e barraquinhas montados à ocasião.
Na verdade, falar de Cem Soldos é inevitavelmente falar de Bons Sons. Confundir a vontade de boa música, portuguesa, com o desejo crescente de pegar na mochila e viver a aldeia por dentro.

À chegada, pode logo ver-se a azáfama de quem contribui com trabalho e dedicação para que tudo resulte. Os diversos voluntários, vindos de todo o país, misturam-se com os habitantes locais e levam o projecto a bom porto, ou melhor, a bom palco. Tudo é pensado ao pormenor, desde a distribuição de chapéus para os festivaleiros se protegerem do sol intenso, como a colocação de vários metros de tubos de água suspensos, que pareciam fazer chover de mansinho e refrescavam quem por eles passava.

O cartaz, recheado de nomes como Carminho, Jorge Palma, Lula Pena, Kumpania Algazarra e Deolinda, explorava várias vertentes com o mesmo preceito, a aposta firme e convicta na música portuguesa.
Apesar da música, factor crucial, o Bons Sons não se faz sem as gentes da terra. Acolhedores e sempre dispostos a ajudar todos os que por lá passeavam, os habitantes de Cem Soldos têm a peculiaridade de fazer sentir em casa qualquer um que vá por bem. Era frequente ouvir um bom dia ou boa tarde, um cumprimento seguido de um sorriso largo e observar os olhares reluzentes. É assim que é feito o Bons Sons, de gente, proximidade e entre ajuda.

Durante quatro dias, couberam em Cem Soldos todas as cidades do país, todos os lugares, todos os que queriam saber de perto o que é realmente fazer parte de algo e como é na verdade viver a aldeia.

Texto: Irina Correia
Fotos: Catarina Costa


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