Blast Zone

Reverence Festival
Santarém, 8 e 9 de Setembro, 2017

Após ter ganho uma excelente projecção no campo do Rock, Stoner e Psych, o Reverence mudou-se de Valada para as margens do Tejo, em Santarém. Tal como nas edições anteriores, o cartaz apostou em bandas na ordem das dezenas e num horário prolongado, a prometer mais de doze horas de música por dia. Tanta quantidade implicaria, logo à partida, perder alguns nomes, mas nunca atrasos significativos no decorrer do evento.
A nova localização deste ano mostrou, no aspecto do campismo, necessitar de melhores condições, como chuveiros e outras facilidades, além de segurança. No espaço do recinto, a oferta revelou-se demasiado pobre, com dois palcos e alguns bares, sem espaço para convívio, com uma oferta reduzida de comida e merchandise. O pouco público presente, que no segundo dia dificilmente terá ultrapassado o milhar, levou a que muitos serviços fechassem cedo, ao ponto de, no segundo dia, mais de metade dos bares e barracas de comida já estarem fechadas várias horas antes do evento encerrar.

A chegada deu-se ao som de Tren Go! Sound System e ainda a tempo de assistir à primeira grande banda da noite, Oathbreaker, que foram sofrendo diversos problemas ao longo da performance. O concerto revelou-se interessante, apesar de ainda assente no mesmo disco que os trouxe cá por duas vezes, e com os problemas de som referidos, a voz de Caro a ficar diversas vezes abafada pela restante banda, perdendo assim a intensidade que se esperava deles. Zarco, no palco Tejo, revelou-se uma péssima escolha e algo deslocados entre os dois nomes do palco Sabotage. Amenra foi a missa que todos esperavam e não desiludiu os muitos fãs que os aguardavam, excepto pela ausência de temas do novo disco. A banda primou pela intensidade habitual, embora com um Colin mais visceral que em anteriores actuações. Sem dúvida, o melhor concerto do festival, o que atesta sobre a qualidade dos belgas, mas também sobre a menor qualidade que o cartaz se revelou.
Wildnorthe (Tejo) revelaram-se curiosos, enquanto Moonspell foram um erro de casting, não só porque o show que traziam era demasiado grande para o espaço físico do palco fornecido, mas também por se revelarem um pouco outsiders para o público daquela noite. No resto, foram iguais a si próprios, com uma actuação idêntica às dos últimos concertos em Portugal. Já num horário tardio, os Névoa mostraram a sua singularidade, mas, apesar do bom concerto, o público já demonstrava cansaço face ao adiantar da hora, pois por esta altura as actuações levavam quase duas horas de atraso. Foi pena para os energéticos japoneses, residentes em Londres, Bo Ningen, com o recinto a ficar cada vez mais vazio. Reza a história que seriam já sete da manhã quando 10 000 Russos se despediram de uma plateia com menos de cinquenta pessoas.

O segundo dia já foi enfrentado sem o sorriso de quem vem a um festival para passar um bom bocado, por isso Asimov foi esquecido e Sienna Root actuava no palco Sabotage quando se chegou ao recinto. No palco Tejo actuaram os Conjunto!Evite, no mesmo palco onde os Cows Caos se revelaram uma banda para sessões de strip e depois se recauchutariam para uns Pás de Probleme, que não passaram da piada do primeiro tema. Entretanto no palco Sabotage actuaram uns muito interessantes Träd, Gräs Och Stenar, com um rock misto de folk e psych. Os “cabeças-de-cartaz” dessa noite, Gang Of Four, mostraram porque nunca deveriam ter tocado naquela posição, com um set tão curto como pouco emotivo e um pouco deslocados da (pouca) coerência do cartaz. Os muito esperados Mono actuaram para uma plateia enregelada, que se dividia entre os que sabiam ao que iam e os que esperavam alguém aos saltos. Tal como os outros grupos que tinham integrado edições recentes do Amplifest, o concerto não se revelou muito diferente do visto nesse festival nortenho, a perder apenas com o soundcheck que se ia ouvindo de fundo, no palco Tejo e que quebrava os momentos de maior intimismo. Is Bliss e Hills foram bandas de passagem para uns sempre interessantes Löbo. Esben and the Witch foram a derradeira banda a ver neste festival, já pelas quatro da manhã, numa actuação morna, e agradecendo aos fãs mais resistentes que os aguardavam, num dia em que novamente os injustificáveis atrasos ultrapassaram a hora e meia.

Um festival que acabou a revelar-se um erro a que dificilmente se deverá retornar, faltando saber se ele próprio terá nova edição.☆

Rita Afonso


Oathbreaker


Oathbreaker


Oathbreaker


Oathbreaker


Amenra


Amenra


Amenra


Amenra


Wildenorthe


Wildenorthe


Wildenorthe


Wildenorthe


Moonspell


Moonspell


Moonspell


Moonspell


Névoa


Névoa


Névoa


Bo Ningen


Bo Ningen


Bo Ningen


Bo Ningen


Cows Caos


Cows Caos


Cows Caos


Cows Caos


Pás de Problem


Pás de Problem


Pás de Problem


Pás de Problem


Träd, Gräs Och Stenar


Träd, Gräs Och Stenar


Träd, Gräs Och Stenar


Träd, Gräs Och Stenar


Mono


Mono


Mono


Mono


Löbo


Löbo


Löbo


Löbo


Esben and the Witch


Esben and the Witch


Esben and the Witch


Esben and the Witch

Emanuel Ferreira

☆☆☆☆☆☆☆☆☆☆☆☆☆☆☆☆☆☆☆☆☆☆☆☆


      geral@fenther.net       Ficha Técnica     Fenther © 2006