Blast Zone

Resurrection Fest

O dia 3

Último dia do festival e nem foi preciso entrar no recinto para perceber quem ia tocar, pois uma em cada três camisolas, trazia o logo dos Iron Maiden.Todos, ou quase todos, estavam ali por eles. Talvez por essa razão, os Nashgul tenham saído tão mal dispostos do palco, vociferando algo como “y se acaba esta mierda!”.


Antes já tinham tocado, no mesmo palco, os Cannibal Grandpa, mas as primeiras atenções viraram-se para os surpreendentes Wild Lies, com um bom Hard Rock, a actuarem no palco principal. Neste mesmo palco, seguiu-se a actuação dos The Raven Age, quinteto britânico onde pontua o guitarrista George Harris, filho de Steve Harris. Família à parte, o grupo valeu por si, e só o pouco impacto mediático os levou a tocar tão cedo.


Os Obsidian Kingdom foram dos nomes mais deslocados no cartaz, tocando demasiado cedo e claramente num palco em que não estavam à vontade. Pena, pois o seu death prog revelou-se interessante, embora perdendo gás muito rapidamente, e tudo funcionaria melhor num pequeno clube.


A presença de Maiden voltou a sentir-se com os Destruction muito recuados no Main Stage, num concerto eficaz e apenas isso, enquanto Thy Art Is Murder conseguiram trazer alguma atenção para o Ritual. Da Noruega vieram uns surpreendentes Shining, em que o saxofone resultou bem, na melhor actuação da tarde para esse palco.


Eram muitos os que esperavam Bullet For My Valentine, que foram certinhos, arriscando pouco e sabendo que tinham muitos fãs entre a legião de Maiden.


Os Municipal Waste serviram como desculpa para sair dali e ir até à tenda Ritual, assisitir aos thrashers, enquanto os Enslaved não chegavam ao Chaos. Estes dois palcos, foram quase sempre melhor opção que o Main Stage,


Enslaved nunca dão um mau concerto, mesmo que neste se tenham esquecido dos temas do último álbum, não os tocando.


Já ninguém ligou a No Fun At All, para assistir a uns Iron Maiden irrepreensíveis, em que apenas falhou terem actuado de dia. Com um repertório tão vasto, falharam muitos clássicos, mas o mesmo se poderia dizer de temas dos últimos três ou quatro discos. Mesmo assim, soube bem escutar um “Wasted Years”, por vezes esquecido nos alinhamentos.


Curiosamente, seguiu-se um fim de festa que valeu como um novo festival: Uncle Acid & The Deadbeats, The Shrine, Graveyard e Nashville Pussy! Uncle Acid começaram ainda Maiden entrava no encore, revelando-se mais densos e pesados que um par de anos atrás.


No palco principal era Abbath que sucedia a Maiden, num concerto atribulado, em que o músico chegou mesmo a sair de palco, face aos problemas de som.


No Ritual, os Shrine mostraram bastante virtuosismo num stoner que cruza com Southern Rock.


Já a actuação de Graveyard oscilou entre o puro Rock e o intimismo de alguns acústicos, conseguindo-se alguns momentos sublimes, que embalaram um público exausto desde o arranque com “Slow Motion Countdown” até encerrar com “The Siren”.


Como que para acordar os corpos embalados, chegou Ruyter Suys e os seus Nashville Pussy que descarregaram um conjunto de malhas eléctricas.


Na saída, The Goddman Gallows fechava a festa no Ritual Stage.


Até 2017, Viveiro!


Emanuel Ferreira


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Resurrection Fest

O dia 2

Entrava-se pelo recinto no segundo dia, e já actuavam os Never Draw Back, mas as atenções começaram a virar-se para o palco do meio, onde, depois da actuação dos Thirteen Bled Promises, se preparava a actuação dos [In Mute]. O som destes espanhóis situa-se algures pelo death core, o que não significa que amanhã não possam soar a death metal, noutro tipo de palco. A realidade é que o grupo não vale exclusivamente pelo desempenho musical, onde não passa da mediania, mas principalmente pela prestação da sua vocalista, e não refiro a presença feminina (foram muito poucas as mulheres presentes em placo neste festival), mas pela forma como cobre todo o espaço de palco, ao ponto de antes do concerto se ter colocado na borda do mesmo a medir a altura. Não deu para saltar, mas ainda fez umas incursões pelas colunas. Sem deslumbrarem, os [In Mute] merecem uma revisão um dia destes, para perceber como conseguiram chegar ao Wacken 2014, representando a Espanha.


Os Blowfuse passaram por Portugal numa digressão ignorada por quase todos, mas no Ritual Stage demonstraram uma energia invejável e ficou vontade de voltar a ver os miúdos que mostraram energia e vontade de estar em palco, enquanto quase ao mesmo tempo, no Main Stage, os Desakato faziam parecer que só lá estavam para ocupar tempo. É complicado chegar a um festival, tocar de dia e para uma minoria, mas seria melhor que as bandas não aceitassem que irem para o festival com ar de frete.


Numa tarde em que parecia fazer-se um balanço do Metal extremo espanhol, a chegada de Avulsed foi bem recebida e, na audiência, alguém segurava um cartaz dizendo “Dave Rotten, tus tripas comenzaram todo”. O facto, é que pese o som mais extremo, os madrilenos apenas foram a melhor banda espanhola do festival. Um concerto curto e intenso, que merecia uma hora mais tardia.


Arkangel foram dos nomes de que ficou pouca memória, mais pela escassez de tempo para ver, que pela qualidade, ou terá sido a qualidade que fez fugir rapidamente do local?


No caso de Hamlet, compreendeu-se a presença no Main Stage, mas continuam pouco interessantes, ao ponto de, no final, a actuação de Battlecross ter sido mais apelativa. Também aqui, não se percebeu bem o que este grupo fazia no cartaz e nesta posição, mas foram engraçados q.b., mostrando possuir um excelente frontman, vagamente primo de Chewbacca.


E andava-se nisto quando os Being As An Ocean, no Ritual Stage, vieram recordar as centenas de quilómetros percorridos até ao Viveiro: A qualidade de muitos nomes, que reúne e permite conhecer, embora estes californianos já tivessem andado em Portugal, numa mini-tour em fins de 2015. O vocalista Joel Quartuccio subiu ao palco para logo descer até à plateia e aí iniciar o set, com “Little Richie”. Ganha a plateia, foi fácil o resto, mas nem por isso o quinteto deixou de se esforçar com o seu post-hardcore. Muito bom.


Já os Protest The Hero foram esquecidos e os Rise Of The Northstar vieram oferecer um som situado no hardcore, mas com um visual assente no conceito de manga, num stage-set próprio, talvez se possam revelar interessantes.


Por essa altura, muitos estavam frente ao Chaos Stage, para mais uma visita de Angelus Apatrida ao festival. As malhas são boas e é das bandas mais interessantes de Espanha, mas ao fim de algum tempo, entra na monotonia, e o discurso de Guillermo, sobre a falta de atenção que é dada em Espanha soa deslocada, quando vindo de um dos nomes com mais presenças no Resurrection.



Caminhava-se para o final da tarde e o Main Stage capturava todas as atenções com Hatebreed, numa actuação em que mais uma vez Jamey se revela o motor do grupo e o verdadeiro entusiasta daquele lado. Ficaram as músicas!


No final duas opções Sinistro ou Frank Carter & The Rattlesnakes. A língua falou mais alto e poder ver um nome nacional num dos palcos, foi argumento para virar à direita e ir para o Chaos Stage, onde os “nossos” Sinistro se preparavam para tocar debaixo de Sol ainda intenso. O momento o dia não foi dos melhores e a inserção de última hora também não ajudou, basta ver a sequência de nomes para perceber que estavam deslocados. Apesar das contrariedades, o desempenho foi bom e só faltou a iluminação que torna o seu espectáculo mágico!




Mas a necessidade de também ver Frank Carter, levou a trocar de palco e chegado ao Ritual Stage, Frank cantava de pé, nos ombros da audiência, depois desce, empurra toda a gente à sua volta, invocando um “massive circle pit” e no meio do mosh, entoa “Snake Eyes”, logo de seguida, pede a todos para sentarem, porque o tema seguinte era em nome dos entes queridos que tinham partido, arrancando “Beautiful Death”. Regressa ao palco, onde já o esperam os Resu Kids, tempo para mais dois temas e final! Fabuloso!!


A seguir, tudo se reunia no main Stage para Gojira, no dia seguinte a terem tocado no Hard Club, no Porto, tão consensuais como bons, naquele que foi o grande concerto do dia, nesse palco.


A seguir, esquecidos os Angel Crew no Ritual Stage, a atenção foi toda para uns Dark Tranquility, que não me recordo de alguma vez ter visto um mau concerto, e também aqui isso não aconteceu, embora este tipo de nomes perca muito quando entalado num cartaz tão vasto. Perdeu-se a intimidade e exclusividade, mas ganhou-se “Monochromatic Stains”, “The Silence in Between” ou “ThereIn”.


The Offspring, concentrou tudo e todos no Main Stage. Uma hora antes, a segurança movimentava-se para criar corredores, pois na entrada formavam-se longas filas de pessoal que na última da hora, resolveu entrar no recinto. No resto, um concerto recheado de malhas, que deixou muita vontade de rever “Smash”. Na ressaca final, os milhares presentes, dividiram-se entre partir, ver Madball ou ficar por Turisas. Madball escolheram o Ritual Stage, mas o número dos que assistiram, esteva para lá do dobro da lotação do espaço. Se Offspring tinham as malhas e a popularidade, os Madball possuem a energia e a honestidade. Quase todo o tempo, o palco esteve com um backdrop nas traseiras a lembrar Melchior Roel, alcaide de Viveiro, um dos grandes impulsionadores do festival e falecido em 2014.


Já Turisas, no Chaos Stage, tinham fãs nas grades, com pinturas, desde Dark Tranquility e não desiludiram.


Emanuel Ferreira


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Resurrection Fest

O dia 1

Num momento em que completa uma década de existência, o festival Resurrection, tem afirma-se como a melhor oferta da península no que toca a hardcore e música extrema, apresentando mais de duas dezenas de nomes por dia, em três palcos diferentes.

O dia zero do festival contou com a presença de Skindred, Narco, Eskimo Callboy, Siberian Meat Grinder, For The Glory (portugueses), Hyde Abbey e Strikeback.

O festival oficialmente, arrancou no dia sete de Julho no Chaos Stage com Evil Impulse, Minor Empires e Implore.


No Ritual Stage, Tierra Hostil e Viva Belgrado eram os nomes que davam as boas vindas.


Com os atrasos habituais de chegada, já só foi possível escutar, no palco principal, Soldier, nome em crescendo por terras espanholas e que virá a Portugal, com o seu thrash, para o VOA, a realizar em Corroios, no próximo mês de Agosto. De Andorra vieram os Persefone, com um death melódico que não impressionou muito, ficando para os Tesseract o primeiro destaque, com um som cada vez mais progressivo, por vezes embarcando no emo. Num palco mais pequeno, o resultado teria sido melhor, aliás, foi este o problema de alguns nomes presentes neste festival, pois apresentando-se em palcos de grandes dimensões e de dia, perderam alguma mística que criariam num pequeno clube.

Estando o Ritual Stage dedicado a nomes mais próximos do hardcore e metalcore, foram os norte-americanos Norma Jean a serem a primeira banda que pude assistir com mais atenção, servindo um excelente concerto, embora curto.

Com cada vez mais público a entrar, face ao evoluir da tarde e muitos escolherem apenas viajar para este dia, foram os Stick To Your Guns que obtiveram a primeira enchente deste palco numa continuação da festa iniciada pelos seus compatriotas, mesmo que com uma actuação inferior a Norma Jean.


Em simultâneo, os espanhóis Wormed debitavam o seu death no Chaos Stage. Os horários em simultâneo, se por um lado permitem coexistir mais nomes e estilos, por outro trazem o inconveniente de nem sempre se poder ver todos os nomes presentes. While She Sleeps foi o primeiro nome a actuar sem este problema, usando para isso o palco principal do festival.


Mas não foi por ter a vida facilitada e toda a atenção que os britânicos deixaram de dar um excelente concerto, com o vocalista Lawrence Taylor, a arriscar mesmo um crowd surfing. Arrancando com “Brainwashed” e terminando com “Four Walls”, dispondo de apenas sete temas, foi fácil converter a actuação num best of repleto de energia e metalcore. Uma das melhores prestações do dia!


The Casualties, no Ritual Stage, trouxeram um certo punk rock como só em Espanha se faz e num misto de temas em inglês e castelhano, conseguiram pôr todos a dançar com o clássico “Cucaracha”!


Os também espanhóis Crisix ficaram para a história por terem sido os primeiros a receber os resu kids em palco, e também, pelo pedido de casamento feito pelo vocalista em pleno Chaos Stage. Uma nota para explicar que os resu kids são, na realidade, filhos de alguns festivaleiros, que passam os dias em companhia de técnicos que não só os levam a passear pelo festival, como os levam mesmo a subir ao palco e interagiram com grupos.


O palco principal voltou a funcionar para receber uns Bad Religion que pareciam enfadados por estarem lá, mal ligando à visita dos resu kids e com um Greg Graffin quase sempre mais perto de declamar que as letras do que de as cantar. Valeu, no entanto, pelo alinhamento.



Desconhecendo o feudo entre Bad Religion e Bring Me The Horizon, o facto é que os últimos foram os vencedores em palco, num óptimo concerto, extremamente visual, quase parecendo um gigante videoclip com um com um Oliver em todo o estilo de poses.



Ao lado, no Chaos Stage actuaram Fleshgod Apocalypse e Rotting Christ, dois nomes com produções muito cuidadas, nos seus discos e que, em certa maneira se podem comparar. Para apresentar o excelente “King”, já deste ano, os gregos souberam trazer uma cantora para backing vocals, vestiram-se com trajes de inspiração barroca e tentaram recriar o disco em palco. Já os gregos apostaram nos samplers, ficando-se por vezes a olhar para um palco, com músicos parados enquanto uma voz ecoava no PA. A maneira como os italianos souberam adaptar o seu som ao palco, tornou o concerto destes muito melhor que o de Rotting Christ. Uma nota, para os mais desatentos: Fleshgod Apocalypse toca em Vagos, no próximo 13 de Agosto, no Vagosmetal Fest.



Em paralelo com o Chaos Stage, na tenda do Ritual stage passavam uns energéticos Walls Of Jericho e H2O.


Novamente apenas a funcionar o Main Stage, este ficou por conta dos Volbeat, um grupo relativamente pouco conhecido por cá, apesar da força que possui no estrangeiro. Orelhudos como não podiam deixar de ser, os Volbeat ainda tentaram brincar com o público mas o seu concerto revelou-se demasiado extenso para o dia, caindo na monotonia, mesmo quando criticaram o público por não ter reconhecido uns acordes de Johnny Cash e reagirem aos seus: “You don’t know Cash and you know this shit?”. Eles foram os cabeças de cartaz do primeiro dia e só por isso se aceitou a extensão do concerto, normal para um grupo numa digressão própria, mas excessiva num cartaz tão repleto de nomes bons.



No Ritual Stage, os Brujeria já receberam um público de rastos, que pouco ligou às suas referências e piadas políticas, dirigidas a Trump.


A noite ainda se completou com Nice Boys, um grupo de covers de Guns’N’Roses!


Emanuel Ferreira

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