Blast Zone

Max & Igor Cavalera - Return to Roots

6/11/16 Hard Club, Porto

“Roots” não é o melhor álbum de Sepultura, para a maioria de fãs do quarteto brasileiro, mas é. Sem dúvida, o mais experimental, aquele em que o grupo se vira para o Brasil, procura as raízes indígenas e faz a ponte com a nação. É também um disco inovador no panorama metálico e marca um ano complicado: O disco sairia no início de 96, a digressão mundial seria encurtada face à morte de Dana Wells, enteado de Max Cavalera e antes do ano terminar, Max abandonaria o colectivo que formara com o irmão. Será difícil de dizer se Soulfly teria existido sem “Roots”, mas é fácil afirmar que Sepultura entrou em período descendente desde aí, com novo pico uma década depois, quando Igor, o restante Cavalera, saía do grupo.

Em 2007 os irmãos reuniam-se sob o nome Cavalera’s Conspiracy onde ainda hoje permanecem, secundados pelo guitarrista Marc Rizzo e o baixista Johny Chow. Para a celebração de “Roots”, vinte anos após a edição, a formação mantém-se mas cai o nome Cavalera’s Conspiracy, ficando apenas a celebração em nome dos irmãos.

Como seria de esperar o concerto centrou-se em “Roots”, o que, para os fãs que nunca viram a formação clássica de Sepultura, poderá ter parecido pouco, pois no período dito “de concerto”, foram executadas apenas faixas do disco, pela ordem de aparição: “Roots Bloody Roots”, “Attitude”, “Cut-Throat “, “Ratamahatta”, “Breed Apart”, “Straighthate”, “Spit”, “Lookaway”, “Dusted”, “Born Stubborn”, “Jasco”, “Itsári”, “Ambush”, “Endangered Species” e “Dictatorshit”. Num primeiro encore, Max e Igor, tocaram “Polícia”, original dos Ratos de Porão, seguindo-se, já com toda a banda, “Procreation Of The Wicked”, versão de Celtic Frost gravada à época de “Roots”, e “Ace Of Spades”, um original de Motorhead que serviu como tributo a Lemmy e à banda de onde tinham retirado o nome de “Sepultura”. Um segundo encore esgotou-se numa nova abordagem a “Roots Bloody Roots”. Uma mão cheia de temas de “Arise”/”Caos A.D.”, talvez tivesse deixado mais satisfação numa actuação que se revelou curta (menos de noventa minutos) e em que se notou um Max com menos voz e bem mais lento que vinte anos atrás.

Emanuel Ferreira

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