Maria Bethânia no Coliseu do Porto: A Voz, o Poema, a Rainha.

Maria Bethânia trouxe ao Coliseu do Porto, a sua tour "Grandes Sucessos", na terceira data agendada para o nosso país.
Passavam apenas dez minutos da hora marcada quando, com um sorriso aberto, de vestido brilhante e o longo cabelo solto que a caracterizam, surgiram em palco.

"Gema", a primeira interpretação, agitou o público que não parava de aplaudir. Ao longo da noite, foram revisitados imensos sucessos como, "Balada da Gisberta", " Gostoso demais", "Sonho meu", "Meu amor é marinheiro" e "Reconvexo", este último composto pelo irmão Caetano Veloso e que explora as diversas fases da Bahia.

Descalça, Bethânia que completou este ano 71 anos, provou que a idade é apenas um número, dançando e fazendo levantar toda a plateia. Após a troca de vestido citou poetas como Fernando Pessoa e Sophia de Mello Breyner e confessou adorar Amália Rodrigues. De poucas palavras, sempre agradecendo, prestou homenagem a Naná Vasconcelos, amigo e percursionista, já falecido. Na tela, passaram imagens do encontro de ambos no carnaval do Recife em 2011, enquanto cantava o "Frevo n°2".

Dizendo não se arrepender de nada, citando a própria " gosto sempre de recomeços", cantou "Non, je ne regrette rien" de Edith Piaf.
No encore ouviu-se " O que é, o que é?", composição de Gonzaguinha e após os imparáveis aplausos, a despedida.
Contra o alinhamento previsto, o público pedia que Bethânia voltasse, ninguém arredou pé mesmo depois de acessas as luzes do coliseu e posterior abertura de portas. E voltou. Com alegria no rosto, dizendo que estava já no camarim mas não resistiu ao apelo. Voltou a ouvir-se a sua estrondosa voz e o silêncio dos presentes.

Maria Bethânia é o expoente máximo da música popular brasileira, a verdadeira personificação da alma e melodia, do fazer, sendo e pertencendo. E provou, no final, que tendo razão, é sempre tempo de recomeçar. ☆


Texto: Irina Correia
Fotos: Catarina Costa


      

    

    

    

    

    

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