Ben Frost – 12/12/2017 – Teatro Maria Matos

De regresso à casa que já antes o havia recebido em 2015 para a apresentação de Aurora (2014) o seu disco anteriror, e apesar de já ter afirmado que o formato disco começa a não fazer sentido no estilo musical que interpreta, Ben Frost apresentou-se no passado dia 12 de Dezembro no Teatro Maria Matos para dar a conhecer ao vivo o seu mais recente trabalho, The Center Cannot Hold, um disco um tanto diferente do seu registo anterior. Mantendo o estilo minimalista e experimental, e tendo na mesma as influências um tanto mais pesadas como o punk ou black metal, este novo disco vai algo mais além, mais experimental ainda, e que não se guia pelas regras do formato de disco, pelo qual o conhecemos (sobretudo no concerto). Com uma sonoridade muito mais Noise, com muita distorção à mistura, e com um som capaz de arrebatar uma mopntanha, o Australiano veio mostrar ao público que a apresentação de um disco não tem de se limitar a tocar as faixas que vêem incluídas no mesmo.
Casa lotada e desesperada por arranjar o melhor lugar, o concerto começou com muito pouco tempo de atraso, e teve a breve duração de cerca de 1h:15m Digo breve não em tom perjurativo, mas porque quando terminou apesar de estarmos de barriga cheia, a gula ansiava por mais.
Sala bastante escura, cenário de fundo uma tela prateada bruxuleante que com a correcta iluminação permitia ver um pouco do que passava por detrás desta, só para na realidade ser uma ilusão pois tudo não passava de um jogo de luzes, fumo e projecção.

Todo o concerto de Frost foi uma experiência sensorial. À audição, como é óbvio, mas também à visão. O olhar ficava dividido entre o artista e a tela, pois esta tanto parecia um mero pano de fundo como de seguida parecia ganhar vida, mostrar rostos que exprimiam as sensações/emoções que o músico tentava mostrar através dos seus instrumentos.
Com sintetizador, mesa de mistura, caixa de ritmos, guitarra, com uma intensa fumarada que criou um ambiente sem igual, com o pano prata a ondular no fundo e com um jogo de luzes tão bem programado que nos fazia duvidar do olhar, Ben Frost conseguiu deixar o público de tal forma em extâse que não se ouvia um único som na sala, tamanha era a admiração de quem assistia.
Estar sentado a assistir a este concerto foi o equivalente a dar um mergulho nas Fossas Marianas. Foi Obscuro, foi Intimidante, pois por momentos a pressão do som prestado parecia quebrar a nossa caixa torácica, e ao mesmo tempo, foi gratificante pois são raras as prestações músicais nos dias correntes que deixam quem está a ouvir extasiado de tal forma que só no fim do concerto pareciamos estar a emergir de um longo mergulho, a ansiar por ar.
Foi um mergulho de uma hora e pouco num mar negro, com laivos de cor que por vezes nos permitiam ver, mas cujo som nos guiava sempre à tona. A carga visceral da música de Frost faz qualquer um acordar do mais profundo dos sonhos para o mais profundo dos pesadelos. A surpresa é, que queremos estar nesses pesadelos.
Apesar de ser pouco provável (devido à sua ocupação actual com séries e filmes), esperemos que 2018 nos traga outro albúm de Ben Frost, e com sorte outro concerto. Se não puder ser vamos gastar o último disco (e os anteriores também) de tantas vezes os tocarmos, tamanhas são as saudades que este deixa.☆

Texto: Filipe Martins
Fotos: Teatro Maria Matos



      
      

    

    

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