Bandas/Discos | Crónicas | Livros | Eventos | DJ7 | Links | Apoios | Home


Mais Reportagens Fenther

After show

Au Revoir Simone e The Slits

A edição do Clubbing do dia três de Outubro foi acima de tudo feminina.Uma noite de mulheres, dedicada às mulheres mas com dois projectos musicais bem distintos.

Foi uma sala esgotada e expectante, aquela que recebeu o trio nova-iorquino Au Revoir Simone.
Annie Hart, Erika Forster e Heather D'Angelo cedo nos habituaram às delicadas canções indie pop, aos teclados sempre presentes e às vozes cálidas que os acompanham. Com a sua habitual simpatia, entram em palco e iniciam o concerto de apresentação do seu mais recente trabalho, "Still Night, Still Light". "All or Nothing" é a primeira melodia que se ouve, um misto de inocência infantil emoldurado pelos sorrisos simples das nova-iorquinas.

As canções sucedem-se, ouve-se "Sad Song" e "Shadows" e sente-se que a semelhança com "Electronic Renaissance" de Belle And Sebastian é notória, um ad eternum melancólico presente nos teclados e na forma como apresentam o seu doce e calmo som.
Se não é de estranhar uma evidente preferência por parte de muitas bandas pelo público luso, as Au Revoir Simone não são excepção. Durante todo o espectáculo não se cansaram de o afirmar e de reiterar o prazer sentido sempre que regressam ao nosso país. E a resposta é imediata, os aplausos são sinceros e prolongados.

Depois de mais de dez canções, regressam ao palco para a "Dark Halls", num registo bem mais acelerado, divertido, com as três meninas tímidas a saltarem atrás dos teclados e das caixas de ritmos, enquanto dançam com o público.



The Slits são uma mistura de três mulheres maduras com duas jovens, são reggae desleixado e punk cada vez menos subversivo (se tal for possível de imaginar), são uma das bandas com génese nos anos setenta e com uma carreira que se prolongou até hoje. Mas tal longevidade não é sinónimo de vasta discografia, editam três discos de rajada, 1979, 1980 e 1981 e desde então, a sua actividade centrou-se em actuações ao vivo.

E se uma recusa pelo punk selvagem se fez notar ("no more smoke, we want clean air" e "no clapping, bird sounds please", numa aproximação clara por modos de vida mais salutares), o reggae e uma atitude de deixa andar é o que destas senhoras se espera agora. E Slit Ari Up é a porta-voz disso mesmo, rastas loiras a tombar pelas costas, atitude descontraída de artista veterana, ainda tirando dividendos de um par de tours com os The Clash e os Buzzcocks.
Do primeiro álbum, ouve-se "Typical Girls", tema incontornável na carreira desta banda que é considerada por muitos como um dos grupos precurssores do Riot Grrrl, a revolta feminina do punk britânico. Contudo, da revolta apenas sobra um registo no Wikipedia.

O resto do alinhamento incidiu obviamente no novo álbum, "Trapped Animal", lançado após um longo hiato de mais de vinte e cinco anos, uma espécie de regresso ao futuro musical, agora reservado a um reggae um tanto ou quanto aborrecido e dolorosamente banal.

texto e fotos: Ana Cancela



Mais Reportagens Fenther