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After show

Antony and The Johnsons

Antony and The Johnsons
Coliseu do Porto
18 de Maio

Foi um Coliseu esgotadíssimo aquele que recebeu Antony e os seus habituais companheiros, os Johnsons, num dos regressos mais esperados do ano. Antony regressa ao nosso país, desta vez com o lançamento do terceiro álbum como pretexto (The Crying Light).

Artista polivalente (participa no filme I'm Your Man sobre Leonard Cohen, assim como em inúmeras compilações musicais, desde Lou Reed a Björk), Antony é um cantor singular, galadoardo em 2005 com o prémio Mercury Prize com o seu segundo álbum, I Am a Bird Now.

Nos primeiros minutos fomos presenteados com a hipnótica dança de uma bailarina, magia em forma musical envolta em tecidos etéreos. Uma preparação diáfana para as músicas que se seguirão.

A banda surge primeiro, deslumbrantes no rigor musical, na mestria dos acordes e acompanhamento perfeito. Antony entra em palco e na primeira música está ainda na sombra. A sua voz é amplificada em todos os cantos do Coliseu, em tons ternos de uma doçura frágil que nos inebria.

Britânico mas a residir nos Estados Unidos, Antony é detentor de um muito peculiar sentido de humor e de uma atitude cívica fora do comum (expressa nos seus comentários de decepção face a Obama em relação à tortura vivida em Guantánamo e na sua atitude ambiental "I'm obessed with the environment", viria a dizer).
Esta visão ecologista está aliás bem patente no seu terceiro e último álbum, The Crying Light, editado este ano e dedicado a Kazuo Ohno, reconhecido bailarino japonês de Butoh, cujo retrato ilustra a capa do disco.

Durante mais de duas horas somos agraciados por uma beleza musical proveniente da voz terna de Antony e das suas magistrais canções.
Evoca-se «I Am a Bird Now» e o seu álbum homónimo. Apresenta-se o disco «The Crying Light» e as canções frágeis e delicadamente ternas que o compõem.

A meio do espectáculo são feitas as apresentações, Julia Kent no violoncelo, Doug Wieselman nos metais, Jeff Langston no baixo, Maxim Moston no violino, Rob Moose na guitarra e violino, e finalmente Parker Kindred, na percussão.

Os temas sucederam-se a um ritmo demasiado rápido, “One Dove”, “You’re my sister”, a candura da voz triste em “I Fell in Love With a Dead Boy”, a doçura de “Shake that Devil”, a extraordinária “Aeon”.

Já perto do fim, ouve-se ainda “Hope Moutain”, “Twilight” e uma interpretação notável em "Hope There's Someone".

Antony é único, um artista exemplar, tímido e enternecedor, de sorriso frágil e mestre em tornar noites triviais em noites dotadas de uma beleza impossível.

Texto: Ana Cancela
Fotografias: Daniel Bento

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