Aftershow

Amplifest 2016 - Dia 1

Amplifest
Dia 1
Mono, Kayo Dot, Anna Von Hausswolff, Sinistro, Alterage, Minsk, Redemptus, Roly Porter
20 de Agosto 2016
Hard Club, Porto

Mais um Amplifest, mais um conjunto de experiências sonoras, de descobertas musicais... Logo a abrir, na Sala 2, os portuenses Redemptus com o seu sludge, a mostrar não só que os portugueses também iam dar cartas, como que a qualidade do cartaz era auspiciosa. Após uma espera, a confirmação chegava com os reformulados Minsk, depois de um hiato, em que se revelaram mais brutais que antes, mas nem por isso perdendo o lado melódico da primeira fase. Chris Bennett foi um senhor e esteve bem apoiado pelos restantes músicos.
Ao lado de Minsk, os Altarage ficaram a perder, mesmo apostando num visual excêntrico e na quase escuridão. Talvez do menos interessante que passou pelo festival. Novo salto para a Sala 1 e a qualidade subia de novo, com os muito bons Kowloon Walled City, donos de um som robusto, assente tanto no rock como no sludge, debitando notas e distorsão fortes, impróprios para pessoas mais sensíveis.
O sludge voltou a unir-se à delicadeza, com a guitarra de Rick Chain e a voz de Patrícia Andrade, nos “nossos” Sinistro, em que a vocalista emerge num banho de luz, enquanto a robustez dos músicos se oculta nas trevas. Funcionaram como uma antecâmara para a surpresa da noite, Anna Von Hausswolff. A vocalista sueca mostrou-se tímida, atrás de uma muralha de teclados, mas a sua voz ecoou como sereia que atrai ao naufrágio, apenas para depois em ira, rugindo, esmagar a audiência seduzida. Um dos concertos mais memoráveis deste festival.
Na ressaca, Kayo Dot (Sala 2) revelou-se menos interessante, logo ali entalados entre Anna e Mono, ficando mesmo assim uma nota positiva para Toby Driver e os seus colegas. De volta à Sala 1 e os Mono repetiam a sua aparição pelos palcos do Hard Club. Irrepreensíveis como sempre, deixaram no entanto, a sensação de faltar algo, ou estar em excesso. Por momentos, ficou a sensação de não pertencerem àquele espaço, ou não ser a sala que eles mereciam.
O fecho do primeiro dia fez-se com Roly Porter, a manipular sons e a produzir ambientes densos e primordiais. Talvez demasiado electrónico para alguns, mas era já o fim de uma noite de excelentes concertos.

Texto:Rita Carvalho
Fotos: Emanuel Ferreira


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