NOS Alive 2017

Dia 6 de Julho
The Weeknd fez da noite uma grande festa sempre a puxar por Lisboa e Portugal.

Arrancaram com Starboy e puseram o público aos saltos, no palco muito fumo e fogo compõe o cenário da super estrela. O melhor ficou reservado para o fim: Can’t Feel My Face, I Feel It Coming e The Hills, acompanhadas da energia de um público rendido.
Os The XX regressaram a Lisboa com o seu mais recente álbum: I See You.
Arrancaram com Intro, Crystalised, Say Something Loving e Islands. Redobram a emoção com I Dare You e Performance. Em Loud Places o NOS Alive é transformado numa gigante pista de dança. Angel termina a actuação e é dedicado à noiva de Romy
Já os Royal Blood, actuaram no palco Heineken, trouxeram o novo disco: How Did We Get So Dark?. Uma alternativa rock de groove pesado, orientado para os riffs das guitarras.
Ryan Adams, de ar introspectivo e rockeiro de anos 80, apresentou o seu último álbum. Intérprete das suas composições, mostrou que é um rapaz de emoções fortes.
Os franceses Phoenix, deram amor!, apresentaram o álbum acabo de editar “Ti Amo!”. Aqueceram o publico com antigos êxitos, como “Lisztomania”. No palco Heineken a destacar ainda os Blossom que, pela primeira vez em Portugal, mostraram que Manchester continua a ser berço do mais atual indie rock. Apresentaram o seu último álbum e, numa sonoridade ideal para o cair da tarde, proporcionaram o aquecer de um festival a iniciar.
A Rua edp, um espaço bastante concorrido onde para além de algumas lojas e museus, havia o Fado Café onde era praticamente impossível conseguir entrar, no entanto, tinha uma programação encantadora.
O Coreto By Arruada continua a ser um marco para quem, longe das multidões.
O Palco Clubbing, estava constantemente cheio de energia, contagiando sempre por quem ali passava.
O Nos Alive mantém com êxito o palco comédia com os standups. Um espaço de descanso e libertação, onde a multidão pode ouvir os melhores humoristas.

Dia 7 de Julho
Os Foo Fighters deram duas horas e meia rock’n’roll puro e duro, entraram com vontade de “tocar a noite toda” e o público não baixou os braços acompanhando a incrível energia da banda.
Antes, Courteeners, The Kills e The Cult trataram de aquecer o público.

O segundo dia do Festival Alive começou cedo, e o rock espalhou-se pelos palcos, mas a maior concentração foi junto ao palco NOS, com as pessoas a marcar lugar na frente de palco e garantindo uma boa visibilidade para o mais pedido da noite: Foo Fighters.
Cinco minutos depois da hora marcada, Dave Grohl entra em palco com as suas “esposas” como lhes chamou. E a histeria do público era grande, a maioria escolheu esta data para ver ou rever a banda que há seis anos pisou este mesmo palco. Abrem com All My Life e conduzem de seguida o público por um dos refrões mais melodiosos em Times Like These. Desde o início, há uma interacção próxima com os fãs, um diálogo que é recíproco. Dave Grohl grita e o público responde, ao ponto de ele ter perguntado se iam repetir tudo o que ele diria nessa noite. Como a resposta foi positiva, ele, na brincadeira, arremessou o Supercalifragilisticexpialidocious do musical Mary Poppins e não ficou sem resposta.
O concerto atravessou a carreira da banda, mas contou também com novos temas do álbum com edição prevista para setembro. La Dee Da é uma dessas novidades e Dave Grohl convidou Alison Mosshart dos The Kills a juntar-se a ele, em palco.
Anunciou ainda que ela vai fazer parte do próximo trabalho, Concrete & Gold, em várias músicas e esta é uma delas. Dois monstros do rock, a dividir o microfone, numa exibição de exuberância vocal e capilar.
Os Foo Fighters surpreendem sempre e trazem surpresas na manga. Learn to Fly, Something From Nothing, The Pretender, o grande hino de rock! Cold Day in the Sun,Another One Bites the Dust dos Queen.
Desceu ao fosso em Monkey Wrench e rebentou tímpanos com White Limo, mas deu também tempo para um aconchego na versão lenta de Wheels. Despediram-se com Best of You e Everlong e a promessa de voltar sem demorarem novamente seis anos!
A noite, continuou depois no Clubbing onde Bandido onde por quem ali passava não ficava indiferente.
Local Natives fizeram uma entrada surpreendente no palco Heineken. Com uma sonoridade indie pop mostraram o seu talento e energia.
The Kills, tão esperados neste seu regresso a este recinto, mas agora no palco principal mostraram porque são um dos nomes de reconhecimento do rock. A dupla Alison Mosshart/JamieHince está envolvida num rock sedutor, arrepiante, por vezes intimista e avassalador. Trouxeram temas do seu mais recente álbum, Ash & Ice, lançado em 2016, e fecharam com Love Is a Deserter e o Wow.
Os quase esquecidos The Cult, deram nos uma viagem no tempo, a quem cresceu nos anos oitenta a ouvir rock. Wild Flower e Rain no arranque. She Sells Sanctuary chega a aquecer um público que não estava, simplesmente para o concerto. Ian elogia Lisboa, que apelida de land of rock’n’roll e termina com dois grandes temas: Fire Woman e Love Removal Machine.
No palco Heineken, os rapazes britânicos Wild Beasts, embalaram com a sua pop eletrónica. O palco EDP Fado Café teve como residente a Carminho, que cativou, encheu, este espaço que pela sua adesão e musicalidades únicas, se torna pequeno e comprometedor na qualidade do som.
Golden Slumbers foi um dos grupos que teve a cargo a ocupação do Coreto neste segundo dia de festival. Duas vozes em sintonia perfeita e acompanhados de uma banda sui generis na sua atitude em palco, as harmonias em simbiose perfeita…
Antes, os Courteneers marcaram pontos pela simplicidade e simpatia com que se apresentaram. O vocalista trazia uma t-shirt de Lisboa, sinal de que quer levar algo mais do que memórias deste festival. Vieram apresentar o seu mais recente longa-duração Mapping The Rendezvous.
O Rock’n’roll também é feminino e as Savages invadiram o palco Heineken seguindo-se as Warpaint.

Dia 8 de Julho
Os muito aguardados Depeche Mode, os vibrantes Imagine Dragons e os meninos bonitos Kodaline marcaram uma linha mais mainstream no último dia de NOS Alive. Um verdadeiro programa para toda a família, num festival que se afirmou no mercado internacional e que, cada vez mais, soma pontos como cartão-de-visita do país.

Dave Gahan é uma espécie de maestro de multidões e conduziu a grande orquestra, que é o público do NOS Alive, com grande competência. Dá o som de instrumentos quando o coro precisa, retira quando quer ouvir apenas as vozes. E quando estamos a falar de um recinto lotado com 55 mil pessoas, a experiência é de provocar pele de galinha.
Os Depeche Mode são presença regular no país e trazem sempre uma legião de seguidores. A banda veio apresentar temas do mais recente trabalho, Spirit, mas sabe que o público está ali para ouvir os êxitos antigos. Serviram uma dose equilibrada das duas partes, de forma a satisfazer todos. Trouxeram vídeos, com fortes imagens a acompanhar alguns dos temas. Tocaram versões mais eletrónicas nas canções mais antigas como Everything Counts, Enjoy The Silence ou Personal Jesus. Mas no final, o refrão estende-se interminavelmente, sem necessidade de sintetizador.
Foi um público mais velho que compareceu a este concerto, ao contrário dos anteriores, que seduzem camadas mais jovens.
A alternativa aos Depeche Mode, encontrava-se do outro lado do recinto. Público ao rubro com a entrada acelerada de Cage The Elefhant. A energia de Matthew Shultz numa voz sempre no limite e do seu irmão na guitarra nas loucas descidas ao público, a energia destes rapazes enlouqueceu a plateia que na loucura vivia dos momentos do festival mais eletrizantes. Com correrias, saltos, gritos, este Matthew faz-nos lembrar muitos vocalistas de grunge. Os fãs cantaram num pleno entusiamo em sons como Too Late To Say Goodbye e Telescope” com diferente vibração cantadas ao vivo por estes boys que não descarregaram as baterias e de cá ficaram fãs.
Os Imagine Dragons são também repetentes no Alive e conseguiram voltar a dar um dos melhores concertos deste festival. Com uma energia inesgotável, Dan Reynolds quer estar tão perto do público quanto possível e são por isso vários os momentos em que sai do palco para se aproximar dos fãs.
A banda de LA trouxe um álbum editado no mês de junho, do qual o público deu mostras de conhecer já bem Believer. Letras simples, como It’s Time estão também na ponta da língua de todos e o ritmo que a banda impõe, trouxe um ambiente de festa contínua ao concerto. Sem pausas significativas, os Imagine Dragons trazem ainda uma mensagem pacifista de apelo à não discriminação de raça, religião, nacionalidade ou orientação sexual.
Um concerto que soube a pouco, mas eles prometeram voltar em breve!
Do outro lado do recinto, atuaram os Spoon e depois Fleet Foxes. Os Spoon são uma das banda mais influentes do indie rock e regressam a Portugal em novembro, em nome próprio. A banda do Texas destaca-se pelas produções arrojadas e arranjos experimentais e o público do palco Heineken recebeu-os com entusiasmo.
Seguiram-se os Fleet Foxes com os fãs na linha da frente. Plateia composta, levaram ao rubro em White Winter Hymnal ou Mykonoso. Banda de harmonias vocais únicas, instrumental transversal e variado, estes rapazes sabem o que fazem, mesmo que não os possamos categorizar musicalmente, o que os torna únicos. Aguardamos um regresso!
O palco Heineken, foi sem dúvida, o palco da noite pela sua multifacetada gama musical, com os fãs assumidos e dos que ficaram de nomes que por aqui passaram, muitos deles em claro enamoramento por Portugal e outros em relações assumidas que estão para voltar e ficar.
Quem também antes de sair já havia deixado data de regresso confirmada para Novembro foram os Kodaline. Meninos bonitos, músicas melodiosas e uma grande presença em palco caracterizam esta banda de irlandeses. Abriram com Ready e seguiram para Brand New Day. Steve Garrigan, a voz da banda, desceu ao público, logo no terceiro tema, para agarrar uma bandeira de Portugal, que exibiu e enrolou depois no suporte do microfone. Apresentaram o novo tema Brother, mas foi na sequência final de High Hopes, Raging e All I Want que conseguiram adesão massiva do público.
The Avalanches trouxe uma vibração contagiante do início ao fim.
Peaches, assumiu a responsabilidade de encerrar o Palco Heineken, no terceiro e último dia do festival, numa altura em que o público já dispersava face ao tardar da hora e eventualmente ao frio que se fazia sentir nesta última noite. Peaches é um autêntico animal de palco! Lisboa não foi excepção e a cantora mostrou-se bastante energética em palco. Subiu os pilares que sustentam o sistema de iluminação, caminhou sobre o público e terminou a fazer crowd surfing. Tudo isto numa questão de minutos!
Os seus espetáculos são marcados não apenas pela componente musical, mas também pela parte visual e interactiva com que se apresenta ao público. A maioria dos temas editados pela cantora é de temáticas sexuais, algo que pode chocar os mais sensíveis, sobretudo pela componente visual com que a artista, que já foi professora e bibliotecária, apresenta.

Balanço do Festival
Em conferência de imprensa Alvaro Covões, diretor da Everything is New, referiu que esta foi uma edição “muito especial”, esgotada “três meses antes” de começar. De acordo com a organização, passaram pelo festival NOS Alive 165 mil pessoas. O festival chegou ainda ao país inteiro, através das emissões no canal 700 da operadora NOS, nos canais e no site da RTP. A componente ambiental do festival e o apoio ao Instituto Gulbenkian da Ciência com o financiamento de bolsas de investigação científica foram outras das iniciativas destacadas.
Partilhou ainda o momento especial, de uma mãe que entrou em trabalho de parto durante o festival, tendo o bebé nascido no dia seguinte: o primeiro bebé NOS Alive.
Em 2018 o festival regressa ao Passeio Marítimo de Algés, nos dias 12, 13 e 14 de julho.☆

Texto e fotos: Antonio Silva e Susana Macedo


            
            
            
            
            

NOS Alive 2017

    

    

    

Depeche Mode

    

Blossoms


FleetFoxes


Foo Fighters

    

Palco Coreto e Palco Fado

    

Peaches

    

Ryan Adams

    

The Courteeners


The Kills

    

The XX


Savages

    

Parov Stelar


The Avalanches


The Cult


LOT


The Weeknd

    

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